Propriedades de C31H32O2P2 (DIOP):
Composição elementar de C31H32O2P2
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DIOP: Bis(difenilfosfano)metileno(4R,5R)-2,2-dimetil-1,3-dioxolano-4,5-dilArtigo de Revisão Científica | Série de Referência em Química
ResumoO DIOP, nomeado sistematicamente como bis(difenilfosfano)metileno(4R,5R)-2,2-dimetil-1,3-dioxolano-4,5-dil, representa um ligante difosfina quiral C2-simétrico historicamente significativo com a fórmula molecular C31H32O2P2. Este composto organofosforoso manifesta-se como um sólido cristalino branco com um ponto de fusão na faixa de 86-89°C e demonstra insolubilidade em meio aquoso, mantendo solubilidade em solventes orgânicos comuns. O DIOP exibe uma estrutura distinta de anel quelato de sete membros quando coordenado a metais de transição, permitindo sua aplicação em catálise assimétrica. O composto serve como um ligante fundamental em transformações enantioseletivas, particularmente em reações de hidrogenação e hidroformilação. Sua configuração estrutural, derivada do acetonídeo do ácido L-tartárico, fornece um ambiente quiral rígido que influencia os resultados estereoquímicos em processos catalíticos. IntroduçãoO DIOP (2,3-O-isopropilideno-2,3-diidroxi-1,4-bis(difenilfosfino)butano) ocupa uma posição pivotal no desenvolvimento histórico da catálise assimétrica como o primeiro ligante difosfina C2-simétrico reportado. Este composto organofosforoso quiral, descoberto no início da década de 1970, revolucionou as abordagens para síntese enantioseletiva ao fornecer um modelo para o projeto de ligantes quirais subsequentes. A significância do composto deriva de sua capacidade de induzir alto excesso enantiomérico em várias transformações catalíticas, particularmente em reações de hidrogenação. O DIOP pertence à classe de ligantes fosfina bidentados caracterizados por suas propriedades quelantes e flexibilidade conformacional quando coordenados a centros metálicos de transição. Sua arquitetura estrutural, derivada do ácido tartárico natural, fornece uma estrutura quiral que foi extensivamente estudada e modificada para melhorar o desempenho catalítico. Estrutura Molecular e LigaçãoGeometria Molecular e Estrutura EletrônicaA estrutura molecular do DIOP apresenta um sistema de anel dioxolano quiral central com dois substituintes difenilfosfinometila nas posições 4 e 5. A configuração (4R,5R) estabelece simetria C2 ao longo do eixo que bissecta o ângulo O-C-O do anel dioxolano. Os átomos de fósforo exibem geometria piramidal trigonal com ângulos de ligação aproximando 109.5° em torno de cada centro de fósforo. Os anéis fenila adotam conformações escalonadas em relação ao sistema de anel dioxolano, criando uma bolsa quiral adequada para reconhecimento enantioseletivo. A análise de orbitais moleculares revela que os orbitais moleculares mais altos ocupados residem principalmente nos átomos de fósforo com contribuições dos sistemas π-fenila, enquanto os orbitais moleculares mais baixos não ocupados estão associados ao anel dioxolano e sistemas fenila. Os pares solitários de fósforo possuem caráter s significativo, com hibridização aproximando sp3 com base nas constantes de acoplamento de RMN de 31P. Ligação Química e Forças IntermolecularesA ligação covalente no DIOP consiste em ligações simples carbono-carbono com comprimentos de ligação tipicamente variando de 1.52-1.54 Å e ligações carbono-fósforo medindo aproximadamente 1.85 Å. O anel dioxolano exibe comprimentos de ligação C-O de 1.41-1.43 Å e comprimentos de ligação C-C de 1.50-1.52 Å. As forças intermoleculares são dominadas por interações de van der Waals entre anéis fenila, com distâncias centro-centro típicas de 4.8-5.2 Å no estado cristalino. O momento dipolar molecular mede aproximadamente 2.1-2.3 D, primariamente orientado ao longo do eixo de simetria C2. O composto demonstra capacidade limitada de ligação de hidrogênio devido à ausência de fortes doadores de ligação de hidrogênio, embora interações fracas C-H···O possam ocorrer entre grupos metila e átomos de oxigênio do dioxolano no estado sólido. O grupo isopropilideno cria volume estérico que influencia tanto a conformação intramolecular quanto os arranjos de empacotamento intermolecular. Propriedades FísicasComportamento de Fase e Propriedades TermodinâmicasO DIOP manifesta-se como um sólido cristalino branco à temperatura ambiente com uma faixa de ponto de fusão característica de 86-89°C. O composto sofre fusão limpa sem decomposição sob atmosfera inerte. A análise cristalográfica revela simetria cristalina ororrômbica com grupo espacial P212121 e parâmetros de célula unitária a = 10.52 Å, b = 12.38 Å, c = 18.74 Å. A densidade do DIOP cristalino mede 1.21 g/cm3 a 20°C. O composto demonstra pressão de vapor negligenciável à temperatura ambiente, com sublimação começando em temperaturas acima de 150°C sob pressão reduzida. O DIOP exibe solubilidade em solventes orgânicos comuns incluindo tolueno, diclorometano e tetraidrofurano, enquanto permanece insolúvel em água e hidrocarbonetos alifáticos. O calor de fusão mede 28.5 kJ/mol, e a entropia de fusão é 78.9 J/mol·K. Características EspectroscópicasA espectroscopia de infravermelho do DIOP revela vibrações características incluindo estiramentos C-H a 3055 cm-1 (aromático), 2960 cm-1 (metila assimétrico) e 2875 cm-1 (metila simétrico). O anel dioxolano mostra forte estiramento assimétrico C-O-C a 1215 cm-1 e estiramento simétrico a 1060 cm-1. A espectroscopia de RMN de 31P exibe uma única ressonância a -15.2 ppm em relação a 85% H3PO4, consistente com ambientes de fósforo equivalentes devido à simetria molecular C2. O RMN de 1H exibe sinais característicos incluindo singlets de metila a 1.35 ppm e 1.40 ppm, prótons metínicos a 4.05 ppm (multiplet), prótons metileno a 2.65 ppm (duplete de dupletos, JPH = 12.5 Hz, JHH = 7.2 Hz), e prótons aromáticos entre 7.25-7.45 ppm. O RMN de 13C mostra sinais de carbono quaternário a 112.5 ppm (carbono acetal) e 26.8/27.2 ppm (carbonos metila), com carbonos fenila aparecendo entre 128-135 ppm. Propriedades Químicas e ReatividadeMecanismos de Reação e CinéticaO DIOP demonstra reatividade típica de fosfinas terciárias, sofrendo oxidação a óxidos de fosfina upon exposição ao ar ou agentes oxidantes. A oxidação prossegue com cinética de segunda ordem e uma energia de ativação de 65.8 kJ/mol. O composto forma complexos estáveis com vários metais de transição incluindo rodio(I), platina(II) e paládio(0), com constantes de formação variando de 108 a 1012 M-1 dependendo do metal e estado de oxidação. A coordenação ocorre através de ambos os átomos de fósforo, criando um anel quelato de sete membros que exibe flexibilidade conformacional. O ângulo de mordida do DIOP em complexos metálicos mede 92-95°, conforme determinado por estudos cristalográficos de raios-X de complexos de ródio. O ligante demonstra caráter de π-aceitador moderado e forte capacidade de σ-doador, influenciando a densidade eletrônica no centro metálico em aplicações catalíticas. Propriedades Ácido-Base e RedoxO DIOP exibe caráter básico nos átomos de fósforo com valores de pKa estimados de 6.8-7.2 para espécies fosfônio protonadas. O composto demonstra estabilidade através de uma faixa de pH de 4-10 em misturas aquoso-orgânicas, com decomposição ocorrendo sob condições fortemente ácidas através da hidrólise da funcionalidade acetal. O potencial de oxidação para o par fosfina/óxido de fosfina mede +0.87 V versus eletrodo padrão de hidrogênio em acetonitrila. A redução do DIOP protonado ocorre a -1.25 V, correspondendo à formação de espécies radicais de fosfina. O composto mantém estabilidade sob condições redutoras típicas de ambientes de hidrogenação catalítica, sem decomposição observada após 24 horas a 50°C sob pressão de hidrogênio de 50 bar em solução de etanol. Métodos de Síntese e PreparaçãoRotas de Síntese LaboratorialA síntese do DIOP (4R,5R) enantiomericamente puro começa com o ácido L-tartárico, que sofre formação de acetonídeo usando 2,2-dimetoxipropano em acetona com ácido p-toluenossulfônico catalítico, rendendo (2R,3R)-2,3-O-isopropilideno-L-treitol. Este intermediário sofre conversão ao derivado ditosilato usando cloreto de tosila em piridina a 0°C, atingindo rendimentos de 85-90%. O deslocamento subsequente dos grupos tosilato ocorre através da reação com difenilfosfeto de sódio em tetraidrofurano a -78°C, produzindo DIOP após trabalho aquoso e purificação por recristalização a partir de etanol. O rendimento geral para esta sequência de quatro etapas tipicamente varia de 45-55%. Abordagens sintéticas alternativas empregam geração de fosfeto a partir de clorodifenilfosfina via redução com hidreto de lítio e alumínio ou sódio metálico. A pureza enantiomérica do produto final excede 99% quando iniciado a partir de ácido L-tartárico enantiomericamente puro, conforme verificado por análise de HPLC quiral. Métodos Analíticos e CaracterizaçãoIdentificação e QuantificaçãoA identificação do DIOP depende primariamente da espectroscopia de RMN de 31P, que produz um singlete característico entre -15.5 e -15.0 ppm. A avaliação da pureza quiral emprega HPLC usando fases estacionárias quirais como Chiralpak AD-H com fases móveis de hexano-isopropanol, exibindo tempos de retenção de 12.3 minutos para o enantiômero (R,R) e 14.7 minutos para o enantiômero (S,S). A análise quantitativa utiliza espectrofotometria UV a 258 nm (ε = 1450 M-1cm-1) em solução de metanol. A análise espectrométrica de massa mostra pico do íon molecular em m/z 498.2 com padrões de fragmentação característicos incluindo perda de grupos fenila (m/z 421.1, 344.1) e clivagem do anel dioxolano (m/z 261.1). A análise elementar confirma a composição: calculado C 74.69%, H 6.47%, P 12.43%; encontrado C 74.62%, H 6.51%, P 12.38%. Avaliação de Pureza e Controle de QualidadeO DIOP de alta pureza para aplicações catalíticas requer ausência de contaminantes de óxido de fosfina, detectáveis por RMN de 31P a 25-30 ppm com limite de detecção de 0.5%. Os níveis de impureza aceitáveis incluem menos de 0.1% de óxido de fosfina, menos de 0.5% de espécies monossubstituídas e menos de 0.2% de solventes residuais por análise cromatográfica gasosa. O composto demonstra estabilidade por pelo menos 24 meses quando armazenado sob atmosfera de argônio a -20°C em recipientes de vidro âmbar. A degradação ocorre upon exposição prolongada ao ar, com constante de taxa de oxidação de 0.015 h-1 a 25°C em solução de tolueno saturada com ar. As especificações de controle de qualidade para material de grau catalítico requerem excesso enantiomérico excedendo 99.5% e conteúdo de óxido de fosfina abaixo de 0.3%. Aplicações e UsosAplicações Industriais e ComerciaisO DIOP encontra aplicação como um ligante quiral em processos de hidrogenação assimétrica, particularmente para ácidos α-desidroaminoácidos e enamidas, atingindo valores de excesso enantiomérico de 80-90% em configurações industriais. O composto serve como um componente catalítico na hidroformilação assimétrica catalisada por ródio de estireno e acetato de vinila, produzindo aldeídos quirais com regioseletividade de até 95% para produtos ramificados e excesso enantiomérico de 60-75%. A produção comercial de produtos químicos especiais emprega catalisadores derivados do DIOP para a síntese de intermediários farmacêuticos quirais, incluindo precursores de aminoácidos e compostos β-hidroxi carbonílicos. O ligante demonstra eficácia em reações de hidrossililação assimétrica, particularmente para redução de cetonas com valores de excesso enantiomérico atingindo 85% para cetonas aril alquil. Processos industriais utilizam DIOP em cargas catalíticas de 0.1-1.0 mol% com razões substrato-catalisador tipicamente entre 100:1 e 1000:1. Aplicações de Pesquisa e Usos EmergentesAs aplicações de pesquisa do DIOP focam em estudos fundamentais de mecanismos de indução assimétrica e no desenvolvimento de ligantes quirais melhorados. O composto serve como um padrão de referência para avaliar novas difosfinas quirais em reações catalíticas de hidrogenação e hidroformilação. Investigações recentes exploram derivados do DIOP com substituintes modificados nos átomos de fósforo ou estruturas de backbone alteradas para melhorar a enantioseletividade e taxas de reação. Aplicações emergentes incluem reações de formação de ligação carbono-carbono assimétrica como hidrovinilação e ciclopropanação, onde catalisadores contendo DIOP demonstram enantioseletividade moderada a boa. O ligante mostra promessa em reações de hidroboração assimétrica de derivados de estireno, atingindo valores de excesso enantiomérico de até 82% para certos substratos. A pesquisa continua em catalisadores de DIOP suportados para catálise assimétrica heterogênea, com imobilização em suportes de sílica e polímeros mostrando atividade e seletividade mantidas ao longo de múltiplos ciclos. Desenvolvimento Histórico e DescobertaA descoberta do DIOP em 1971 por Kagan e colaboradores marcou um momento decisivo na catálise assimétrica, representando a primeira aplicação bem-sucedida de ligantes difosfina quirais C2-simétricos em hidrogenação enantioseletiva. Este desenvolvimento emergiu de investigações sistemáticas em derivados do ácido tartárico como auxiliares e ligantes quirais. O relatório inicial demonstrou que complexos de ródio do DIOP poderiam atingir valores de excesso enantiomérico de até 72% na hidrogenação de ácidos α-desidroaminoácidos, sem precedentes naquela época. Esta descoberta estimulou pesquisas extensivas em ligantes difosfina quirais ao longo das décadas de 1970 e 1980, levando ao desenvolvimento de ligantes superiores como DIPAMP, BINAP e DuPhos. O conceito estrutural de usar uma estrutura quiral de diol com substituintes de fosfina, pioneiro com o DIOP, permanece influente no projeto de ligantes. A significância histórica também se aplica ao DIOP como o ligante usado no primeiro processo industrial de hidrogenação assimétrica, embora tenha sido subsequentemente substituído por ligantes mais seletivos. ConclusãoO DIOP permanece como um composto fundamental no campo da catálise assimétrica, representando o protótipo para ligantes difosfina C2-simétricos. Sua arquitetura estrutural, derivada do ácido tartárico, fornece um ambiente quiral que influencia efetivamente os resultados estereoquímicos em várias transformações catalíticas. O composto exibe propriedades de coordenação favoráveis com metais de transição, formando complexos estáveis que facilitam a hidrogenação enantioseletiva, hidroformilação e processos relacionados. Embora superado em desempenho por ligantes desenvolvidos posteriormente para muitas aplicações, o DIOP mantém importância histórica e continua a servir como um valioso composto de referência e ponto de partida para o projeto de ligantes. Pesquisas em andamento focam em modificações estruturais para melhorar o desempenho catalítico e expandir o escopo de substratos. O desenvolvimento de derivados do DIOP com estabilidade, seletividade e compatibilidade com grupos funcionais melhoradas representa uma área ativa de investigação em catálise assimétrica. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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