Propriedades de C72H14O2 (Éster metílico do ácido fenil-C61-butírico):
Composição elementar de C72H14O2
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Éster metílico do ácido fenil-C61-butírico (PCBM): Composto QuímicoArtigo de Revisão Científica | Série de Referência em Química
ResumoO Éster metílico do ácido fenil-C61-butírico (PCBM) representa um derivado de fulereno significativo com a fórmula molecular C72H14O2. Este composto organofulerênico exibe propriedades excepcionais de aceitação de elétrons e características de solubilidade que o distinguem do C60 puro. O composto cristaliza em um sistema monoclínico com grupo espacial P2(1)/n e parâmetros de rede a = 1,347 nm, b = 1,51 nm, c = 1,901 nm e β = 106,9° a 100 K. O PCBM demonstra uma densidade de 1,631 g/cm³ em temperaturas criogênicas e sublima a aproximadamente 280°C. Sua estrutura eletrônica apresenta um sistema de π-conjugação estendido modificado pela fusão do anel de ciclopropano e a funcionalização com éster. O composto serve como um material fundamental na pesquisa fotovoltaica orgânica devido às suas propriedades favoráveis de transporte de carga e processabilidade em solução. IntroduçãoO Éster metílico do ácido fenil-C61-butírico, nomeado sistematicamente como metil 4-[3′-fenil-3′H-ciclopropa[1,9](C60-Ih)[5,6]fuleren-3′-il]butanoato de acordo com a nomenclatura IUPAC, pertence à classe dos compostos organofulerênicos. Primeiro sintetizado na década de 1990, este derivado [6,6]-fechado de metanofulereno emergiu como um material pivotal no desenvolvimento de dispositivos eletrônicos orgânicos. O composto preenche a lacuna entre os fulerenos puros e os semicondutores orgânicos processáveis, combinando a excepcional capacidade de aceitação de elétrons do C60 com uma solubilidade aprimorada através da funcionalização. O PCBM representa um semicondutor orgânico do tipo n prototípico que permitiu estudos fundamentais em fenômenos de transferência de carga e física de dispositivos. Estrutura Molecular e LigaçãoGeometria Molecular e Estrutura EletrônicaA arquitetura molecular do PCBM consiste em um núcleo de fulereno C60 funcionalizado em uma ligação [6,6] através de ciclopropanação com um grupo fenilbutírico de éster metílico. Este padrão de adição preserva a simetria icosaédrica do fulereno pai enquanto introduz um centro quiral no ponto de fixação. A fusão do anel de ciclopropano cria uma ponte de carbono saturada entre a gaiola de fulereno e o substituinte orgânico, com comprimentos de ligação de aproximadamente 1,54 Å para as ligações fulereno-carbono e 1,51 Å para as ligações carbono-carbono dentro do anel de ciclopropano. Cálculos da estrutura eletrônica revelam uma perturbação significativa do sistema π do fulereno no local de adição. Os átomos de carbono com hibridização sp³ na junção do ciclopropano interrompem a π-conjugação contínua da gaiola do C60, criando um defeito eletrônico localizado. A análise de orbitais moleculares demonstra que o orbital molecular não ocupado mais baixo (LUMO) mantém principalmente caráter de fulereno com um nível de energia de aproximadamente -3,7 eV em relação ao vácuo, enquanto o orbital molecular ocupado mais alto (HOMO) reside em aproximadamente -6,1 eV. O substituinte fenil contribui com mínima densidade orbital para os orbitais de fronteira, mas influencia o momento de dipolo molecular geral. Ligação Química e Forças IntermolecularesA ligação no PCBM apresenta ligações carbono-carbono e carbono-hidrogênio covalentes em toda a estrutura molecular. A gaiola de fulereno mantém seu padrão característico de ligações simples e duplas alternadas com comprimentos de ligação variando de 1,40 Å a 1,46 Å. A funcionalidade do éster introduz ligações carbonila (C=O) polares com um comprimento de 1,21 Å e ligações simples carbono-oxigênio de 1,36 Å. Este grupo polar contribui significativamente para o momento de dipolo molecular geral, estimado em 4,5 Debye. As interações intermoleculares no estado sólido do PCBM incluem forças de van der Waals entre as gaiolas de fulereno, com distâncias interfulereno típicas de 3,0-3,2 Å. Os grupos fenil participam de fracas interações de empilhamento π-π com distâncias de separação de aproximadamente 3,5 Å. As funcionalidades do éster envolvem-se em interações dipolo-dipolo e fracas ligações de hidrogênio com moléculas adjacentes. Essas forças intermoleculares coletivas governam o comportamento de empacotamento nas fases cristalinas e influenciam as propriedades de transporte de carga através do material sólido. Propriedades FísicasComportamento de Fase e Propriedades TermodinâmicasO PCBM aparece como um sólido cristalino marrom escuro a preto à temperatura ambiente. O composto exibe uma estrutura cristalina pertencente ao sistema cristalino monoclínico com grupo espacial P2(1)/n. A 100 K, os parâmetros da célula unitária medem a = 1,347 nm, b = 1,51 nm, c = 1,901 nm e β = 106,9°, contendo quatro unidades de fórmula por célula unitária. A densidade em temperaturas criogênicas é de 1,631 g/cm³. O comportamento térmico do PCBM é caracterizado pela sublimação em vez de fusão, com o ponto de sublimação ocorrendo a aproximadamente 280°C. Esta alta estabilidade térmica deriva da robusta gaiola de fulereno e das fortes interações intermoleculares no estado sólido. Medidas de calorimetria exploratória diferencial não mostram transições de fase abaixo da temperatura de sublimação. O composto demonstra solubilidade moderada em solventes aromáticos como clorobenzeno (aproximadamente 50 mg/mL a 25°C) e orto-diclorobenzeno (aproximadamente 80 mg/mL a 25°C), com solubilidade significativamente reduzida em solventes alifáticos e polares. Características EspectroscópicasA espectroscopia de infravermelho do PCBM revela modos vibracionais característicos, incluindo a vibração de estiramento carbonila a 1734 cm⁻¹, estiramentos aromáticos C-H entre 3000-3100 cm⁻¹ e vibrações da gaiola de fulereno na região de 500-1400 cm⁻¹. A região de impressão digital entre 500-600 cm⁻¹ mostra bandas distintivas atribuíveis ao núcleo de fulereno funcionalizado. A espectroscopia de ressonância magnética nuclear fornece informações estruturais detalhadas. O espectro de RMN 1H em CDCl3 exibe sinais em δ 3,67 ppm (singleto, 3H, -OCH3), δ 2,89 ppm (tripleto, 2H, -CH2-COO), δ 2,39 ppm (tripleto, 2H, Ph-CH2-), δ 1,95 ppm (multiplet, 2H, -CH2-CH2-CH2-), e prótons aromáticos entre δ 7,20-7,40 ppm. O espectro de RMN 13C mostra o carbono carbonila em δ 174,2 ppm, o carbono metóxi em δ 51,8 ppm, carbonos alifáticos entre δ 33,0-36,5 ppm, carbonos aromáticos entre δ 126,0-142,0 ppm e carbonos de fulereno entre δ 135,0-155,0 ppm. A espectroscopia UV-Vis demonstra características de absorção dominadas pelas transições π-π* do fulereno. O PCBM exibe absorção forte na região do UV com máximos em 258 nm e 329 nm, e absorção mais fraca estendendo-se para a região visível até aproximadamente 700 nm. O bandgap óptico, determinado pelo início da absorção, é de aproximadamente 1,7 eV. Propriedades Químicas e ReatividadeMecanismos de Reação e CinéticaO PCBM demonstra reatividade química característica de ambos os derivados de fulereno e compostos de éster. O núcleo de fulereno deficiente em elétrons sofre redução reversível com potenciais de redução de meia-onda em -1,08 V, -1,48 V e -1,92 V versus ferroceno/ferrocênio em o-diclorobenzeno/acetonitrila (4:1 v/v). Estes valores representam um desvio anódico de aproximadamente 0,1 V comparado ao C60 puro, indicando uma afinidade eletrônica aprimorada devido ao substituinte de éster que retira elétrons. A funcionalidade do éster participa de reações carbonila típicas, incluindo hidrólise, aminólise e transesterificação. A hidrólise básica prossegue com uma constante de taxa de segunda ordem de aproximadamente 2,3 × 10⁻³ M⁻¹s⁻¹ a 25°C em etanol aquoso, rendendo o derivado do ácido carboxílico correspondente. O núcleo de fulereno mantém reatividade em direção a reações de cicloadição, embora o padrão de adição difira do C60 puro devido à funcionalização existente. As reações de Diels-Alder ocorrem preferencialmente em ligações [6,6] adjacentes ao adendo existente, com constantes de taxa reduzidas em aproximadamente uma ordem de magnitude comparado ao C60 não funcionalizado. Propriedades Ácido-Base e RedoxO PCBM exibe caráter ácido-base limitado em solução. O grupo éster demonstra basicidade extremamente fraca com protonação ocorrendo apenas sob condições ácidas fortes. O composto não mostra acidez detectável na faixa de pH de 0-14 em solventes mistos aquoso-orgânicos. O comportamento redox domina as características eletroquímicas, com o composto servindo como um aceitador de elétrons eficiente tanto em estados fundamentais quanto excitados. O composto sofre três reduções de um elétron reversíveis com potenciais formais separados por aproximadamente 0,4 V, consistentes com o preenchimento sucessivo de um LUMO triplamente degenerado. O primeiro potencial de redução de -1,08 V versus Fc/Fc⁺ indica uma afinidade eletrônica aproximadamente 0,3 eV maior do que aceitadores orgânicos típicos, como o tetracianoetileno. A oxidação ocorre irreversivelmente em potenciais acima de +1,2 V versus Fc/Fc⁺, indicando estabilidade limitada no estado oxidado. A diferença de energia entre os primeiros potenciais de oxidação e redução dá um bandgap eletroquímico de 2,28 eV, ligeiramente maior do que o bandgap óptico devido a efeitos de energia de reorganização. Métodos de Síntese e PreparaçãoRotas de Síntese LaboratorialA síntese do PCBM segue um procedimento bem estabelecido de duas etapas, começando com a preparação do precursor orgânico do adendo. A rota sintética começa com a formação do éster metílico do ácido fenilbutírico através da esterificação do ácido 4-fenilbutírico usando metanol e ácido sulfúrico catalítico. Este intermediário sofre brometação na posição benzílica usando N-bromosuccinimida para render o brometo correspondente. A etapa chave envolve a reação de ciclopropanação de Bingel-Hirsch entre o C60 e o derivado do éster bromado. Esta reação emprega hidreto de sódio como base em tolueno anidro sob atmosfera inerte a 0°C até temperatura ambiente. O enolato de éster desprotonado ataca uma ligação [6,6] do C60, resultando na formação do anel de ciclopropano através de adição nucleofílica seguida por substituição intramolecular. A reação tipicamente alcança rendimentos de 60-75% após purificação cromatográfica em sílica gel usando tolueno como eluente. A purificação final envolve recristalização a partir de dissulfeto de carbono ou sublimação sob pressão reduzida para obter material analiticamente puro. Métodos Analíticos e CaracterizaçãoIdentificação e QuantificaçãoA caracterização analítica do PCBM emprega múltiplas técnicas complementares. A cromatografia líquida de alta performance com detecção UV a 330 nm fornece análise quantitativa com um limite de detecção de aproximadamente 0,1 μg/mL usando colunas de fase reversa C18 e fases móveis de acetonitrila/tolueno. A análise espectrométrica de massa por MALDI-TOF mostra o pico do íon molecular em m/z 910,94 correspondendo a C72H14O2⁺, com padrões de fragmentação característicos, incluindo a perda do grupo éster (m/z 839,89) e subsequentes fragmentos da gaiola de fulereno. A análise elementar confirma a composição com valores calculados de C 94,91%, H 1,55%, O 3,51% e valores experimentais tipicamente dentro de 0,3% do teórico. A análise de difração de raios X fornece confirmação estrutural definitiva, com a estrutura cristalina monoclínica servindo como referência para verificação de identidade. A análise termogravimétrica demonstra avaliação de pureza através do perfil de sublimação característico com resíduo mínimo. Aplicações e UsosAplicações Industriais e ComerciaisO PCBM serve primariamente como o componente aceitador de elétrons em dispositivos fotovoltaicos orgânicos de heterojunção a granel. Nessas aplicações, o composto forma misturas de fases separadas com doadores de polímeros conjugados, como o poli(3-hexiltiofeno) (P3HT). A combinação de materiais alcança eficiências de conversão de energia superiores a 4% em dispositivos de escala laboratorial, com o PCBM facilitando o transporte de elétrons e fornecendo interfaces eficientes de separação de carga. As características de solubilidade permitem o processamento em solução usando técnicas que incluem spin-coating, impressão por jato de tinta e recobrimento por fenda. O composto encontra aplicação em transistores de efeito de campo orgânicos como um semicondutor do tipo n, tipicamente exibindo mobilidades de elétrons na faixa de 10⁻³ a 10⁻² cm²/V·s em dispositivos otimizados. O PCBM também serve como um material de geração de carga em fotodetectores orgânicos e como uma camada de transporte de elétrons em diodos emissores de luz orgânicos. A produção comercial permanece limitada a quantidades de pesquisa devido ao alto custo do precursor C60 e à complexidade dos processos de purificação. Aplicações de Pesquisa e Usos EmergentesO PCBM funciona como um sistema modelo para estudos fundamentais de processos de transferência de elétrons em materiais orgânicos. O composto permite investigações da dinâmica de separação de carga em interfaces doador-aceitador usando técnicas de espectroscopia ultrarrápida. As aplicações de pesquisa estendem-se à espintrônica orgânica, onde o derivado de fulereno serve como um componente ativo de spin, e à eletrônica molecular, onde junções de molécula única incorporam o PCBM como o elemento ativo. Aplicações emergentes incluem o uso como um inibidor de nucleação em materiais cristalinos orgânicos e como um modelo para materiais de carbono nanoestruturados. O composto mostra promessa em células solares de perovskita como uma camada de modificação interfacial que reduz perdas por recombinação. Investigações recentes exploram derivados de PCBM com grupos funcionais modificados para níveis de energia ajustados e estabilidade térmica aprimorada. Desenvolvimento Histórico e DescobertaO desenvolvimento do PCBM emergiu da química de funcionalização de fulerenos pioneira no início da década de 1990, após a produção macroscópica do C60. A reação de Bingel, relatada em 1993 por Christoph Bingel, forneceu a base metodológica para a ciclopropanação de fulerenos usando bromomalonatos. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, Santa Barbara, adaptaram esta metodologia para criar derivados de fulereno solúveis para aplicações fotovoltaicas, relatando o PCBM pela primeira vez em 1995. O reconhecimento das propriedades excepcionais do PCBM para a eletrônica orgânica ocorreu gradualmente durante o final da década de 1990, enquanto grupos de pesquisa investigavam vários derivados de fulereno. O trabalho seminal de Shaheen et al. em 2001 demonstrou o desempenho notável de misturas de P3HT:PCBM, estabelecendo esta combinação de materiais como o sistema de referência para fotovoltaicos orgânicos. Pesquisas subsequentes refinaram as técnicas de síntese, purificação e processamento, enquanto estudos fundamentais elucidaram os mecanismos de transferência de carga operando em dispositivos baseados em PCBM. ConclusãoO Éster metílico do ácido fenil-C61-butírico representa um material marcante no desenvolvimento de dispositivos eletrônicos orgânicos. Sua combinação única de capacidade de aceitação de elétrons, solubilidade moderada e propriedades de formação de filme permitiu avanços significativos na fotovoltaica orgânica e tecnologias relacionadas. O composto continua a servir como um material de referência para novos aceitadores de elétrons e como um sistema modelo para estudos fundamentais da física de semicondutores orgânicos. Direções futuras de pesquisa incluem o desenvolvimento de rotas sintéticas mais eficientes, metodologias de purificação aprimoradas e modificações estruturais para desempenho melhorado em aplicações emergentes, como a fotovoltaica de perovskita e a espintrônica orgânica. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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