Propriedades de C8H12O2 (Dióxido de vinilciclohexeno):
Composição elementar de C8H12O2
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Dioxido de Vinilcicloexeno (C₈H₁₂O₂): Composto QuímicoArtigo de Revisão Científica | Série de Referência em Química
ResumoO dióxido de vinilcicloexeno (C₈H₁₂O₂), sistematicamente denominado 3-oxiranil-7-oxabiciclo[4.1.0]heptano, representa um significativo composto epóxi bifuncional com importância industrial. Este líquido incolor exibe uma densidade de 1,09 g·cm⁻³, ponto de fusão de -108,9 °C e ponto de ebulição de 227 °C. O composto contém dois grupos funcionais epóxi tensionados que conferem alta reatividade, particularmente em reações de polimerização por abertura de anel e reticulação. O dióxido de vinilcicloexeno serve como um intermediário crucial na produção de resinas epóxi e encontra aplicação como agente de reticulação na química de polímeros. Sua estrutura molecular apresenta um anel de cicloexano fusionado a um anel de oxirano com um grupo epóxi pendente adicional, criando uma arquitetura tridimensional única que influencia tanto suas propriedades físicas quanto seu comportamento químico. IntroduçãoO dióxido de vinilcicloexeno (DVD) pertence à classe de compostos orgânicos conhecidos como diepóxidos, caracterizados pela presença de dois grupos funcionais epóxi. Este composto possui significativa importância industrial como agente de reticulação e monômero na produção de resinas epóxi. O nome sistemático da IUPAC 3-oxiranil-7-oxabiciclo[4.1.0]heptano descreve com precisão sua estrutura bicíclica contendo átomos de oxigênio. Com a fórmula molecular C₈H₁₂O₂ e massa molar de 140,18 g·mol⁻¹, o dióxido de vinilcicloexeno representa um bloco de construção versátil na química orgânica sintética e na ciência dos materiais. A importância comercial do composto deriva de sua capacidade de participar em reações de polimerização, formando redes tridimensionais com propriedades térmicas e mecânicas aprimoradas. Estrutura Molecular e LigaçãoGeometria Molecular e Estrutura EletrônicaA estrutura molecular do dióxido de vinilcicloexeno consiste em um anel de cicloexano fusionado a um anel de oxirano (epóxi) nas posições 1,2, com um grupo epóxi adicional derivado de vinil ligado na posição 4. Este arranjo cria uma estrutura bicíclica [4.1.0]heptano com incorporação de oxigênio. O anel de cicloexano adota uma conformação de cadeira com ângulos de ligação típicos de aproximadamente 109,5° para átomos de carbono hibridizados sp³. Os anéis epóxi exibem tensão angular significativa com ângulos de ligação C-O-C restritos a aproximadamente 60°, desviando-se substancialmente do ângulo tetraédrico ideal. Esta tensão contribui para a alta reatividade do composto em reações de abertura de anel. Os átomos de carbono nos anéis epóxi apresentam hibridização sp³ com geometria de ligação angular. Os átomos de oxigênio nos grupos epóxi possuem hibridização sp³ com dois pares de elétrons solitários ocupando os orbitais restantes. A análise de orbitais moleculares revela que o orbital molecular ocupado mais alto (HOMO) se localiza principalmente nos átomos de oxigênio dos grupos epóxi, enquanto o orbital molecular não ocupado mais baixo (LUMO) exibe caráter antiligante entre os átomos de carbono e oxigênio, facilitando o ataque nucleofílico nos centros de carbono eletrofílicos. Ligação Química e Forças IntermolecularesA ligação covalente no dióxido de vinilcicloexeno segue padrões típicos para epóxidos orgânicos, com comprimentos de ligação C-C de 1,54 Å no anel de cicloexano e ligações C-O encurtadas de 1,43 Å nos anéis epóxi tensionados. As ligações C-O nos grupos epóxi demonstram increased polaridade com momentos de dipolo de ligação calculados de aproximadamente 1,9 D, comparados a 0,7 D para ligações éter típicas. O momento de dipolo molecular mede aproximadamente 2,8 D, resultante da soma vetorial dos dipolos individuais de ligação e da estrutura molecular assimétrica. As interações intermoleculares são dominadas por forças de van der Waals e interações dipolo-dipolo devido às funcionalidades epóxi polares. O composto não participa da ligação de hidrogênio como doador, mas pode atuar como um aceitador fraco de ligação de hidrogênio através dos pares solitários de oxigênio. As forças de dispersão de London contribuem significativamente para a atração intermolecular, particularmente dada a área de superfície molecular relativamente grande e a nuvem eletrônica polarizável. Estas forças intermoleculares explicam o estado líquido do composto à temperatura ambiente e sua viscosidade moderada de 15 mPa·s a 25 °C. Propriedades FísicasComportamento de Fase e Propriedades TermodinâmicasO dióxido de vinilcicloexeno existe como um líquido incolor à temperatura ambiente com um odor suave característico. O composto demonstra um ponto de fusão de -108,9 °C e ponto de ebulição de 227 °C à pressão atmosférica. A densidade mede 1,09 g·cm⁻³ a 20 °C, diminuindo gradualmente com o aumento da temperatura devido à expansão térmica. A pressão de vapor é relativamente baixa a 13 Pa (0,1 mmHg) a 20 °C, aumentando exponencialmente com a temperatura de acordo com a relação de Clausius-Clapeyron. As propriedades termodinâmicas incluem um calor de vaporização de 45,2 kJ·mol⁻¹ e calor de fusão de 12,8 kJ·mol⁻¹. A capacidade calorífica específica à pressão constante mede 1,92 J·g⁻¹·K⁻¹ para a fase líquida. O composto exibe um índice de refração de 1,476 a 20 °C e comprimento de onda da linha D do sódio (589 nm). A tensão superficial mede 38,5 mN·m⁻¹ a 20 °C, típica para líquidos orgânicos com polaridade moderada. Estas propriedades físicas tornam o dióxido de vinilcicloexeno adequado para várias aplicações industriais que requerem compostos epóxi líquidos. Características EspectroscópicasA espectroscopia no infravermelho revela bandas de absorção características correspondentes aos grupos funcionais epóxi. Fortes vibrações de estiramento assimétrico da ligação C-O-C aparecem a 1250 cm⁻¹ e 850 cm⁻¹, enquanto o estiramento simétrico ocorre a 950 cm⁻¹. O anel de cicloexano mostra vibrações típicas de estiramento C-H entre 2850-2950 cm⁻¹ e vibrações de flexão a 1450 cm⁻¹. A espectroscopia de RMN de próton exibe sinais complexos devido à estereoquímica do composto e à tensão do anel. Os prótons metínicos do epóxi ressoam entre δ 2,5-3,2 ppm, enquanto os prótons metilênicos adjacentes aos grupos epóxi aparecem em δ 1,8-2,2 ppm. Os prótons do anel de cicloexano produzem múltiplos entre δ 1,0-1,7 ppm. A espectroscopia de RMN de carbono-13 mostra sinais para átomos de carbono do epóxi em δ 45-55 ppm, com átomos de carbono do cicloexano aparecendo entre δ 20-35 ppm. A análise espectrométrica de massa exibe um pico de íon molecular em m/z 140 correspondendo a C₈H₁₂O₂⁺. Padrões de fragmentação característicos incluem perda de água (m/z 122), clivagem dos anéis epóxi (m/z 79, 81) e formação de íons oxônio (m/z 57, 71). A espectroscopia UV-Vis demonstra absorção mínima na região visível com transições n→π* fracas aparecendo alrededor de 270 nm devido aos pares solitários de oxigênio do epóxi. Propriedades Químicas e ReatividadeMecanismos de Reação e CinéticaO dióxido de vinilcicloexeno demonstra alta reatividade característica de compostos epóxi tensionados, sofrendo primariamente reações de abertura de anel nucleofílica. Os anéis epóxi abrem-se regioseletivamente com o ataque ocorrendo preferencialmente no átomo de carbono menos substituído em condições básicas e no carbono mais substituído em condições ácidas. A polimerização por abertura de anel prossegue através de mecanismos aniônicos ou catiônicos, com constantes de taxa de propagação variando de 10⁻² a 10⁻⁴ L·mol⁻¹·s⁻¹ dependendo do catalisador e da temperatura. A hidrólise ocorre lentamente em ambientes aquosos com uma meia-vida de aproximadamente 200 horas em pH neutro e 25 °C, acelerando sob condições ácidas ou básicas. A energia de ativação para a hidrólise catalisada por ácido mede 85 kJ·mol⁻¹. Reações de reticulação com aminas, ácidos ou álcoois polifuncionais prosseguem eficientemente em temperaturas elevadas (50-100 °C) com tempos de gelificação variando de minutos a horas dependendo da concentração do catalisador e da funcionalidade dos co-reagentes. Propriedades Ácido-Base e RedoxO dióxido de vinilcicloexeno exibe caráter ácido-base mínimo no sentido tradicional, pois não possui prótons ionizáveis sob condições normais. No entanto, os átomos de oxigênio do epóxi podem sofrer protonação sob condições fortemente ácidas, com valores de pKₐ estimados para o ácido conjugado em torno de -3 a -4. Esta protonação aumenta dramaticamente a eletrofilicidade do composto e facilita as reações de abertura de anel. As propriedades redox incluem moderada resistência à oxidação, mas susceptibilidade à redução. O composto permanece estável em relação ao oxigênio molecular em temperaturas abaixo de 100 °C, mas sofre degradação oxidativa gradual em temperaturas mais altas. A redução com hidreto de alumínio e lítio ou reagentes similares cliva os anéis epóxi para produzir o diol correspondente, 4-vinilcicloexano-1,2-diol. A redução eletroquímica ocorre a -2,1 V versus eletrodo de calomelano padrão, envolvendo processos de transferência de dois elétrons para cada grupo epóxi. Síntese e Métodos de PreparaçãoRotas de Síntese LaboratorialA síntese laboratorial primária do dióxido de vinilcicloexeno envolve a epoxidação do 4-vinilcicloexeno usando ácidos peroxocarboxílicos como agentes oxidantes. O ácido meta-cloroperoxibenzoico (mCPBA) em diclorometano a 0-5 °C fornece os maiores rendimentos, tipicamente atingindo 85-90% após 12-24 horas de tempo de reação. A reação prossegue via mecanismo concertado com transferência de oxigênio eletrofílico do ácido perácido para a funcionalidade alceno. O controle cuidadoso da estequiometria garante conversão completa de ambas as ligações duplas enquanto minimiza reações secundárias como a oxidação de Baeyer-Villiger. A purificação tipicamente envolve lavagem com solução de bicarbonato de sódio para remover subprodutos de ácido carboxílico, seguida de secagem sobre sulfato de magnésio anidro e destilação fracionada sob pressão reduzida (0,5-1,0 mmHg). O produto final exibe pureza superior a 98% por cromatografia gasosa. Métodos alternativos de epoxidação usando peróxido de hidrogênio com catalisadores de tungstênio ou molibdênio foram desenvolvidos, mas geralmente fornecem menor seletividade e rendimentos comparados ao método do ácido perácido. Métodos de Produção IndustrialA produção industrial escala o processo de epoxidação por ácido perácido usando ácido peracético como agente oxidante por razões econômicas. O processo tipicamente opera em um reator de tanque agitado contínuo a 40-60 °C com tempos de residência de 2-4 horas. Sistemas catalisadores empregando resinas de troca iônica ou catalisadores heterogêneos de titânio-sílica melhoram a eficiência e facilitam a separação do produto. As estimativas de produção global anual variam entre 5.000-10.000 toneladas métricas, com principais instalações de manufatura localizadas na Europa, América do Norte e Ásia. A otimização do processo foca em maximizar a conversão enquanto minimiza o consumo de energia e a geração de resíduos. A viabilidade econômica depende criticamente da reciclagem eficiente de sistemas de solvente e recuperação de subprodutos de ácido carboxílico. Considerações ambientais incluem o tratamento de correntes de resíduos aquosos contendo ácidos orgânicos e a implementação de sistemas de circuito fechado para prevenir emissões de compostos orgânicos voláteis. Métodos Analíticos e CaracterizaçãoIdentificação e QuantificaçãoA cromatografia gasosa com detecção por ionização de chama fornece o método primário para quantificação do dióxido de vinilcicloexeno, com um limite de detecção de 0,1 μg·mL⁻¹ e faixa linear estendendo-se a 1000 μg·mL⁻¹. Colunas capilares com fases estacionárias não polares (DB-1, DB-5) alcançam excelente separação de impurezas potenciais e produtos de decomposição. Os tempos de retenção tipicamente variam entre 8-12 minutos dependendo das dimensões da coluna e da programação de temperatura. A cromatografia líquida de alta eficiência com detecção UV a 210 nm oferece um método alternativo com sensibilidade comparável. Colunas de fase reversa C18 com fases móveis de acetonitrilo-água fornecem separação adequada. A detecção por espectrometria de massa no modo de monitoramento de íon selecionado aumenta a especificidade e permite a identificação positiva através de padrões de fragmentação característicos. A espectroscopia no infravermelho serve como uma técnica complementar para identificação de grupos funcionais e avaliação de qualidade. Avaliação de Pureza e Controle de QualidadeAs especificações comerciais tipicamente requerem pureza mínima de 98,5% com limites para impurezas-chave incluindo água (<0,1%), compostos clorados (<0,01%) e peróxidos (<10 ppm). A titulação de Karl Fischer determina o conteúdo de água, enquanto a cromatografia iônica quantifica impurezas de cloreto. Os níveis de peróxido são medidos iodometricamente ou usando kits de teste especializados. A cromatografia gasosa-espectrometria de massa identifica e quantifica impurezas orgânicas, que podem incluir 4-vinilcicloexeno não reagido, intermediários monoepóxidos e subprodutos de abertura de anel. Testes de estabilidade indicam que o composto permanece estável por pelo menos 12 meses quando armazenado em recipientes selados sob atmosfera de nitrogênio em temperaturas abaixo de 30 °C. A exposição à umidade, ácidos ou temperaturas elevadas acelera a decomposição através de reações de hidrólise e polimerização. Protocolos de controle de qualidade incluem testes regulares do peso equivalente de epóxi, que deve permanecer dentro de 70-72 g·eq⁻¹ para material puro. Aplicações e UsosAplicações Industriais e ComerciaisO dióxido de vinilcicloexeno serve primariamente como diluente reativo e agente de reticulação em formulações de resinas epóxi. Sua baixa viscosidade (15 mPa·s) melhora a processabilidade de resinas epóxi de maior peso molecular enquanto mantém a funcionalidade em reações de cura. O composto encontra extensa aplicação em materiais compostos, adesivos e revestimentos onde são requeridas propriedades mecânicas aprimoradas e resistência química. Aplicações elétricas incluem compostos de encapsulamento e vernizes isolantes devido às propriedades dielétricas do material e estabilidade térmica. Usos industriais adicionais incluem servir como intermediário na síntese orgânica para produção de dióis, polióis e outros compostos funcionalizados através de reações de abertura de anel regioseletivas. A bifuncionalidade do composto permite a criação de estruturas dendríticas e redes altamente reticuladas com propriedades personalizadas. A demanda de mercado permanece estável com taxas de crescimento anual de 3-5% impulsionadas pela expansão nos setores de eletrônicos, aeroespacial e automotivo que requerem materiais epóxi avançados. Aplicações de Pesquisa e Usos EmergentesAs aplicações de pesquisa focam no desenvolvimento de novos materiais poliméricos com arquitetura controlada e funcionalidade. O dióxido de vinilcicloexeno serve como monômero em estudos de polimerização por abertura de anel investigando cinética e mecanismo da polimerização de epóxidos. A pesquisa em ciência dos materiais explora sua incorporação em polímeros com memória de forma, materiais autorreparáveis e sistemas responsivos a estímulos. Aplicações emergentes incluem o uso como bloco de construção para síntese de cerâmicas avançadas através de processos sol-gel e desenvolvimento de resinas fotopolimerizáveis para tecnologias de impressão 3D. Investigações em andamento examinam seu potencial na criação de materiais com gradiente com propriedades controladas espacialmente e no projeto de novos sistemas catalisadores para abertura seletiva de anel epóxi. A literatura de patentes indica interesse crescente em aplicações biomédicas, embora estas permaneçam primarily em estágio de pesquisa devido a preocupações de toxicidade. A estrutura única do composto continua a inspirar metodologias sintéticas para preparar arquiteturas moleculares complexas. Desenvolvimento Histórico e DescobertaO desenvolvimento do dióxido de vinilcicloexeno paralela a história mais ampla da química de epóxidos, que emergiu no início do século XX. Relatos iniciais de compostos epóxi datam de 1909, mas a investigação sistemática de resinas epóxi começou na década de 1930 com o trabalho pioneiro de Pierre Castan e Sylvan Greenlee. O composto específico 4-vinilcicloexeno dióxido aparece pela primeira vez na literatura química na década de 1950, quando pesquisadores exploravam as propriedades de epóxidos multifuncionais. A produção industrial começou na década de 1960, conforme a demanda por compostos epóxi especializados com reatividade e funcionalidade aprimoradas cresceu. Avanços metodológicos na química de epoxidação, particularmente o desenvolvimento de agentes oxidantes mais seguros e seletivos, facilitaram a produção em maior escala. As décadas de 1970 e 1980 viram uma melhor compreensão das relações estrutura-propriedade, levando a aplicações otimizadas na ciência dos materiais. Décadas recentes testemunharam o refinamento de métodos sintéticos e a expansão para aplicações tecnológicas emergentes. ConclusãoO dióxido de vinilcicloexeno representa um composto epóxi bifuncional quimicamente interessante e industrialmente importante. Sua estrutura molecular apresentando dois anéis epóxi tensionados em uma estrutura de cicloexano confere padrões de reatividade únicos e propriedades físicas. O composto serve como um valioso agente de reticulação e diluente reativo em formulações de resinas epóxi, contribuindo para o desempenho aprimorado do material em várias aplicações. A pesquisa contínua continua a explorar novas metodologias sintéticas e aplicações emergentes em materiais avançados. Desenvolvimentos futuros provavelmente focarão na melhoria da sustentabilidade dos processos de produção e na expansão da utilidade do composto em tecnologias de ponta, enquanto aborda considerações de manuseio e toxicidade através de medidas de segurança apropriadas. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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