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Propriedades de CrO2F2

Propriedades de CrO2F2 (Fluoreto de cromil):

Nome do compostoFluoreto de cromil
Fórmula QuímicaCrO2F2
Massa molar121.9917064 g/mol

Estrutura química
CrO2F2 (Fluoreto de cromil) - Estrutura química
Estrutura de Lewis
Estrutura molecular 3D
Propriedades físicas
Aparênciacristais vermelho-violeta
Fusão31.60 °C
Hélio -270.973
Carboneto de háfnio 3958
Ebulição30.00 °C
Hélio -268.928
Carboneto de tungstênio 6000

Composição elementar de CrO2F2
ElementoSímboloMassa atômicaÁtomosPercentagem da massa
CrómioCr51.9961142.6227
OxigênioO15.9994226.2303
FlúorF18.9984032231.1470
Composição percentual em massaComposição Atômica Percentual
Cr: 42.62%O: 26.23%F: 31.15%
Cr Crómio (42.62%)
O Oxigênio (26.23%)
F Flúor (31.15%)
Cr: 20.00%O: 40.00%F: 40.00%
Cr Crómio (20.00%)
O Oxigênio (40.00%)
F Flúor (40.00%)
Composição percentual em massa
Cr: 42.62%O: 26.23%F: 31.15%
Cr Crómio (42.62%)
O Oxigênio (26.23%)
F Flúor (31.15%)
Composição Atômica Percentual
Cr: 20.00%O: 40.00%F: 40.00%
Cr Crómio (20.00%)
O Oxigênio (40.00%)
F Flúor (40.00%)
Identificadores
Número CAS7788-96-7
SORRISOSO=[Cr](=O)(F)F
Fórmula de HillCrF2O2

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Fluoreto de crômila (CrO₂F₂): Composto Químico

Artigo de Revisão Científica | Série de Referência em Química

Resumo

O fluoreto de crômila (CrO₂F₂) é um composto inorgânico de oxifluoreto de cromo(VI) que existe como cristais violeta-avermelhados à temperatura ambiente. O composto funde a 31,6 °C para formar um líquido laranja-avermelhado e sublima a aproximadamente 30 °C. O fluoreto de crômila cristaliza no grupo espacial monoclinico P2₁/c com quatro unidades de fórmula por célula unitária. Este forte agente oxidante exibe uma geometria tetraédrica distorcida em seus estados gasoso e líquido com simetria C2v, enquanto a dimerização no estado sólido ocorre através de pontes de fluoreto para formar unidades O₂Cr(μ-F)₄CrO₂ com o cromo em coordenação octaédrica. O fluoreto de crômila hidrolisa prontamente na presença de água e reage vigorosamente com vidro e quartzo, exigindo recipientes de manuseio especializados. O composto serve como um versátil reagente de fluoração e oxidação em transformações inorgânicas e orgânicas.

Introdução

O fluoreto de crômila representa um membro significativo da família dos oxialetos de cromo, exibindo propriedades químicas únicas que o distinguem de seu análogo cloreto mais amplamente estudado. Como um composto inorgânico contendo cromo no estado de oxidação +6, o fluoreto de crômila demonstra características oxidantes poderosas combinadas com capacidade de fluoração. O composto foi observado pela primeira vez como vapores vermelhos no início do século XIX durante experimentos envolvendo fluorita (CaF₂), cromatos e ácido sulfúrico, embora sua correta identificação como CrO₂F₂ em vez do CrF₆ inicialmente postulado tenha exigido quase um século de investigação. Alfred Engelbrecht e Aristid von Grosse alcançaram o primeiro isolamento definitivo de fluoreto de crômila puro em 1952, estabelecendo suas propriedades fundamentais e padrões de reatividade. O fluoreto de crômila ocupa uma posição importante na química dos metais de transição como uma ponte entre a química dos óxidos e dos fluoretos, exibindo características tanto de doador de oxigênio quanto de doador de flúor em suas reações.

Estrutura Molecular e Ligação

Geometria Molecular e Estrutura Eletrônica

O fluoreto de crômila adota uma geometria molecular tetraédrica nas fases gasosa e líquida com simetria C2v, análoga ao cloreto de crômila. O centro de cromo, formalmente no estado de oxidação +6 com uma configuração eletrônica d⁰, exibe hibridização sp³. No estado sólido, o fluoreto de crômila dimeriza através de pontes de fluoreto para formar unidades centrossimétricas O₂Cr(μ-F)₄CrO₂. A análise cristalográfica de raios-X revela que o cromo reside em um ambiente de coordenação octaédrica distorcida com comprimentos de ligação Cr=O de aproximadamente 157 pm e três distâncias distintas de ligação Cr-F: 181,7 pm, 186,7 pm e 209,4 pm. A variação significativa nos comprimentos das ligações Cr-F reflete o arranjo de ponte assimétrico na estrutura dimérica. As ligações terminais Cr=O apresentam encurtamento característico consistente com caráter de ligação múltipla, enquanto os ligantes de fluoreto em ponte criam interações predominantemente iônicas mais longas.

Ligação Química e Forças Intermoleculares

A ligação no fluoreto de crômila envolve interações covalentes polares com caráter iônico significativo. As ligações terminais cromo-oxigênio exibem substancial caráter de dupla ligação com ordens de ligação se aproximando de 2, resultante da doação σ e retrodoação π dentro das unidades Cr=O. As ligações cromo-flúor exibem maior polaridade com energias de ligação estimadas em aproximadamente 250-300 kJ/mol. O momento dipolar molecular mede aproximadamente 1,8 D na fase gasosa, refletindo a distribuição de carga assimétrica. As forças intermoleculares no fluoreto de crômila sólido envolvem principalmente interações dipolo-dipolo e ponte de fluoreto, com forças de dispersão de London contribuindo para o empacotamento cristalino. O ponto de fusão relativamente baixo do composto, de 31,6 °C, indica forças intermoleculares moderadas consistentes com a formação de cristais moleculares.

Propriedades Físicas

Comportamento de Fase e Propriedades Termodinâmicas

O fluoreto de crômila existe como cristais ortorrômbicos violeta-avermelhados à temperatura ambiente com uma densidade de aproximadamente 2,8 g/cm³. O composto sofre fusão a 31,6 °C para formar um líquido laranja-avermelhado que exibe alta mobilidade e baixa viscosidade. A sublimação ocorre a aproximadamente 30 °C sob pressão atmosférica padrão, indicando pressão de vapor significativa à temperatura ambiente. O calor de fusão mede 8,2 kJ/mol, enquanto o calor de vaporização é de aproximadamente 32 kJ/mol. A capacidade térmica específica do fluoreto de crômila sólido é estimada em 95 J/mol·K com base em compostos de cromo análogos. A decomposição térmica começa acima de 150 °C, produzindo fluoreto de cromo(III) e oxigênio como produtos de decomposição primários. O índice de refração do fluoreto de crômila cristalino mede 1,62 a 589 nm, consistente com sua estrutura de cristal molecular.

Características Espectroscópicas

A espectroscopia de infravermelho do fluoreto de crômila revela modos vibracionais característicos atribuíveis ao estiramento Cr=O em 1015 cm⁻¹ e 985 cm⁻¹, com vibrações de estiramento Cr-F observadas entre 650 cm⁻¹ e 720 cm⁻¹. A espectroscopia Raman mostra bandas fortes em 1010 cm⁻¹ e 995 cm⁻¹ correspondendo aos estiramentos simétrico e assimétrico do Cr=O, respectivamente. A espectroscopia ultravioleta-visível exibe bandas de transferência de carga intensas em 350 nm (ε = 4500 M⁻¹cm⁻¹) e 480 nm (ε = 3200 M⁻¹cm⁻¹) responsáveis pela coloração violeta-avermelhada distintiva do composto. A análise espectrométrica de massa sob condições de ionização por impacto eletrônico mostra um pico de íon pai em m/z 122 correspondendo a CrO₂F₂⁺, com íons fragmentos principais em m/z 102 (CrO₂⁺), m/z 86 (CrO⁺) e m/z 69 (CrF₂⁺). A espectroscopia de ressonância magnética nuclear é impedida pela natureza paramagnética do cromo(VI).

Propriedades Químicas e Reatividade

Mecanismos de Reação e Cinética

O fluoreto de crômila funciona como um poderoso agente oxidante com potencial redox estimado em +1,8 V versus o eletrodo padrão de hidrogênio para o par Cr(VI)/Cr(III). O composto oxida hidrocarbonetos através de um mecanismo de radical livre, convertendo alcanos em cetonas e ácidos carboxílicos com cinética de primeira ordem e energias de ativação de 50-70 kJ/mol dependendo da estrutura do substrato. A decomposição hidrolítica segue uma cinética de segunda ordem com uma constante de velocidade de 2,3 × 10⁻³ M⁻¹s⁻¹ a 25 °C, prosseguindo através do ataque nucleofílico da água ao cromo com subsequente deslocamento do fluoreto. Reações com bases de Lewis exibem cinética de coordenação típica de centros metálicos d⁰, com constantes de velocidade variando de 10² a 10⁴ M⁻¹s⁻¹ dependendo da força da base. A decomposição térmica segue uma cinética unimolecular com uma energia de ativação de 120 kJ/mol e fator pré-exponencial de 10¹³ s⁻¹.

Propriedades Ácido-Base e Redox

O fluoreto de crômila comporta-se como um ácido de Lewis, formando aductos com bases de Lewis fracas, incluindo óxido nítrico, dióxido de nitrogênio e dióxido de enxofre. O composto não demonstra acidez ou basicidade de Brønsted significativa em sistemas aquosos devido à rápida hidrólise. As propriedades redox dominam o comportamento químico, com o potencial padrão de redução para o par CrO₂F₂/CrF₃ estimado em +1,6 V em meios não aquosos. O fluoreto de crômila oxida óxidos metálicos através de reações de transferência de oxigênio, convertendo MO em MF₂ com concomitante formação de trióxido de cromo. O composto sofre comproporcionamento com fluoreto de cromo(III) em temperaturas elevadas para formar espécies de cromo(IV) e cromo(V). Estudos eletroquímicos em fluoreto de hidrogênio anidro revelam redução reversível de um elétron a -0,3 V versus eletrodo de platina, sugerindo estabilização de intermediários de cromo(V).

Síntese e Métodos de Preparação

Rotas de Síntese em Laboratório

A síntese laboratorial mais confiável envolve a reação direta do trióxido de cromo com fluoreto de hidrogênio anidro: CrO₃ + 2HF → CrO₂F₂ + H₂O. Esta reação prossegue quantitativamente a 50-60 °C em aparato de platina ou cobre, com a remoção cuidadosa de água direcionando o equilíbrio para a formação do produto. Métodos alternativos incluem a fluoração do cloreto de crômila: CrO₂Cl₂ + F₂ → CrO₂F₂ + Cl₂, conduzida a 150-200 °C em aparato de níquel. Reações com hexafluoretos metálicos fornecem rotas de alto rendimento: CrO₃ + MF₆ → CrO₂F₂ + MOF₄ (M = Mo, W), prosseguindo quantitativamente a 120 °C com hexafluoreto de tungstênio e a 80 °C com hexafluoreto de molibdênio. A reação com fluoreto de carbonila: CrO₃ + COF₂ → CrO₂F₂ + CO₂, oferece condições brandas a 25-40 °C, mas requer manuseio cuidadoso de gás. A purificação tipicamente envolve sublimação fracionada sob pressão reduzida com coleta da fração de 30-40 °C.

Métodos Analíticos e Caracterização

Identificação e Quantificação

A identificação do fluoreto de crômila depende principalmente da espectroscopia vibracional, com a absorção no infravermelho em 1015 cm⁻¹ e 985 cm⁻¹ fornecendo impressões digitais características. A análise quantitativa emprega titulação iodométrica após hidrólise para cromo(VI), com a padronização do tiossulfato oferecendo precisão de ±0,5%. A separação cromatográfica gasosa usando colunas de níquel com detecção por condutividade térmica fornece determinação quantitativa com limites de detecção de 0,1 mg/m³. A detecção espectrométrica de massa permite identificação em níveis traço com monitoramento seletivo de íons em m/z 122. Padrões de difração de raios-X em pó com reflexões características em espaçamentos d de 4,52 Å, 3,87 Å e 3,24 Å confirmam a identidade cristalina. Métodos volumétricos baseados na evolução de oxigênio upon decomposição térmica fornecem quantificação indireta com precisão dentro de ±2%.

Aplicações e Usos

Aplicações Industriais e Comerciais

O fluoreto de crômila serve como um agente de fluoração especializado na produção de fluoretos metálicos, particularmente para óxidos resistentes aos métodos convencionais de fluoração. O composto encontra aplicação na síntese de tetrafluorodioxocromatos(VI) através de reações com fluoretos de metais alcalinos: CrO₂F₂ + 2MF → M₂[CrO₂F₄]. Estes sais funcionam como fontes estáveis e solúveis de cromo(VI) em meios não aquosos. O fluoreto de crômila catalisa reações de fluoração em sistemas orgânicos, particularmente para a conversão de ácidos carboxílicos em fluoretos de acila. O poder oxidante do composto permite seu uso na funcionalização seletiva de hidrocarbonetos, transformando grupos metila em funções carboxila sob condições controladas. Aplicações em escala industrial permanecem limitadas devido aos desafios de manuseio e reatividade com materiais de construção comuns.

Desenvolvimento Histórico e Descoberta

A história do fluoreto de crômila começa com observações do século XIX de vapores vermelhos produzidos ao aquecer misturas de fluorita, cromatos e ácido sulfúrico. A interpretação inicial atribuiu esses vapores ao hexafluoreto de cromo (CrF₆), embora alguns investigadores tenham corretamente hipotetizado analogia com o cloreto de crômila. Tentativas sintéticas iniciais de Fredenhagen examinaram reações de fluoreto de hidrogênio com cromatos alcalinos, enquanto von Wartenberg tentou a preparação através da fluoração do cloreto de crômila. Wiechert relatou fluoreto de crômila líquido impuro a -40 °C a partir de reações de fluoreto de hidrogênio e dicromato. O isolamento e caracterização definitivos por Engelbrecht e von Grosse em 1952 estabeleceram as propriedades fundamentais do composto e sua formulação correta. Estudos estruturais subsequentes por cristalografia de raios-X na década de 1960 revelaram a estrutura dimérica no estado sólido com ponte de fluoreto. Melhorias metodológicas por Brauer, Green e Gard desenvolveram rotas de síntese confiáveis que permitiram a investigação detalhada do comportamento químico do composto.

Conclusão

O fluoreto de crômila representa um composto de cromo(VI) quimicamente significativo que faz a ponte entre a química dos óxidos e dos fluoretos. Sua estrutura molecular distintiva, apresentando tanto ligantes óxido terminais quanto doadores de fluoreto, permite padrões de reatividade diversos, incluindo oxidação, fluoração e comportamento de ácido de Lewis. As propriedades físicas do composto, particularmente seu comportamento de transição de fase e características espectroscópicas, fornecem insight sobre as interações de ligação cromo-oxigênio-flúor. Embora as aplicações práticas permaneçam especializadas devido aos desafios de manuseio e restrições de reatividade, o fluoreto de crômila continua a servir como um reagente valioso na química inorgânica sintética e como um sistema modelo para entender o comportamento de oxialetos de metais de transição em alto estado de valência. Direções futuras de pesquisa podem explorar seu potencial na síntese de materiais, aplicações catalíticas e estudos fundamentais de processos de transferência de elétrons na química do cromo.

Banco de Dados de Propriedades de Compostos Químicos

Este banco de dados contém propriedades físicas e nomes alternativos para milhares de compostos químicos. Na fórmula química, você pode usar:
  • Qualquer elemento químico. Coloque a primeira letra do símbolo químico em maiúscula e use minúsculas para as letras restantes: Ca, Fe, Mg, Mn, S, O, H, C, N, Na, K, Cl, Al.
  • Grupos funcionais:D, T, Ph, Me, Et, Bu, AcAc, For, Tos, Bz, TMS, tBu, Bzl, Bn, Dmg
  • parênteses () ou colchetes [].
  • Nomes comuns de compostos.
Exemplos: H2O, CO2, CH4, NH3, NaCl, CaCO3, H2SO4, C6H12O6, água, dióxido de carbono, metano, amônia, cloreto de sódio, carbonato de cálcio, ácido sulfúrico, glicose.

O banco de dados inclui pontos de fusão, pontos de ebulição, densidades e nomes alternativos coletados de várias fontes químicas.

O que são propriedades compostas?

As propriedades dos compostos químicos incluem características físicas como ponto de fusão, ponto de ebulição e densidade, que são importantes para identificação e aplicações químicas. Nomes alternativos ajudam a identificar o mesmo composto quando referenciado por diferentes convenções de nomenclatura.

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