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Propriedades de S3

Propriedades de S3 (Trisulfur):

Nome do compostoTrisulfur
Fórmula QuímicaS3
Massa molar96.195 g/mol

Estrutura química
S3 (Trisulfur) - Estrutura química
Estrutura de Lewis
Estrutura molecular 3D
Propriedades físicas
Aparênciacereja-vermelha

Composição elementar de S3
ElementoSímboloMassa atômicaÁtomosPercentagem da massa
EnxofreS32.0653100.0000
Composição percentual em massaComposição Atômica Percentual
S: 100.00%
S Enxofre (100.00%)
S: 100.00%
S Enxofre (100.00%)
Composição percentual em massa
S: 100.00%
S Enxofre (100.00%)
Composição Atômica Percentual
S: 100.00%
S Enxofre (100.00%)
Identificadores
Número CAS12597-03-4
SORRISOS[S-][S+]=S
SORRISOS[S-]S[S]
Fórmula de HillS3

Compostos relacionados
FórmulaNome composto
SEnxofre
S2Dissulfur
S8Octasulfur
S6Hexasulfur

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Trisulfeto (S₃): Composto Químico

Artigo de Revisão Científica | Série de Referência em Química

Resumo

O Trisulfeto (S₃), também conhecido como triozona ou trímero de enxofre, representa um alótropo significativo do enxofre elementar caracterizado por sua distintiva coloração vermelho-cereja. Esta molécula triatômica compreende aproximadamente 10% do enxofre vaporizado a 713 K e 1333 Pa. A molécula exibe uma geometria angular com comprimentos de ligação S–S de 191,70 ± 0,01 pm e um ângulo de ligação de 117,36 ± 0,006° no átomo de enxofre central. O Trisulfeto demonstra propriedades diamagnéticas e exibe uma forte banda de absorção eletrônica a 425 nm. O composto ocorre naturalmente em emissões vulcânicas na lua de Júpiter, Io, e contribui para a coloração da atmosfera de Vênus. O ânion radical S₃⁻, conhecido como triozoneto ou trisulfanidilo, exibe coloração azul intensa e ocorre naturalmente em minerais como a lazurita. O Trisulfeto serve como um intermediário reativo fundamental na química do enxofre e participa de vários processos atmosféricos e geológicos.

Introdução

O Trisulfeto (S₃) constitui um importante alótropo molecular do enxofre com implicações significativas para a química atmosférica, processos geológicos e a teoria fundamental da ligação química. Como uma molécula triatômica homonuclear inorgânica, o trisulfeto ocupa uma posição intermediária entre o S₂ diatômico e anéis de enxofre maiores, como o ciclooctaenxofre (S₈). O composto foi primeiramente hipotetizado por Hugo Erdmann em 1908 como um componente do enxofre líquido, mas sua existência permaneceu não confirmada até a identificação espectrométrica de massa por J. Berkowitz em 1964. O Trisulfeto demonstra estabilidade particular na fase gasosa em temperaturas elevadas, tornando-se a segunda espécie de enxofre mais abundante após o S₂ acima de 1200 °C. A estrutura eletrônica distintiva e as características de ligação da molécula atraíram considerável interesse teórico, particularmente em relação à sua relação com a molécula isoeletrônica de ozônio.

Estrutura Molecular e Ligação

Geometria Molecular e Estrutura Eletrônica

O Trisulfeto adota uma geometria molecular angular com simetria C2v, análoga à estrutura do ozônio (O₃). Medidas experimentais usando espectroscopia de micro-ondas e difração de elétrons confirmam comprimentos de ligação S–S equivalentes de 191,70 ± 0,01 pm e um ângulo de ligação de 117,36 ± 0,006° no átomo de enxofre central. Apesar das representações estruturais sugerirem ligações duplas S=S, cálculos de orbitais moleculares indicam uma situação de ligação mais complexa. A configuração eletrônica envolve ligação π deslocalizada através dos três átomos de enxofre, com o orbital molecular ocupado mais alto (HOMO) sendo um orbital de ligação π e o orbital molecular não ocupado mais baixo (LUMO) sendo um orbital antiligante π*. Cálculos teóricos sugerem que uma estrutura cíclica simétrica D3h com três ligações simples equivalentes seria mais baixa em energia do que a estrutura angular observada, mas esta configuração não foi observada experimentalmente. A molécula exibe comportamento diamagnético, consistente com uma configuração eletrônica de camada fechada.

Ligação Química e Forças Intermoleculares

A ligação no trisulfeto envolve uma deslocalização eletrônica significativa através dos três átomos de enxofre, com ordem de ligação intermediária entre ligações simples e duplas. O comprimento da ligação S–S de 191,70 pm fica entre os comprimentos típicos de ligação simples S–S (aproximadamente 205 pm) e os comprimentos de ligação dupla S=S (aproximadamente 189 pm). Este comprimento de ligação sugere caráter de ligação dupla parcial resultante da deslocalização π-eletrônica. A molécula possui um pequeno momento de dipolo de aproximadamente 0,5 D devido à distribuição eletrônica assimétrica através da estrutura angular. As interações intermoleculares em fases condensadas envolvem principalmente forças de dispersão de London devido ao caráter não polar da molécula. O tamanho molecular relativamente pequeno e a estrutura compacta resultam em forças intermoleculares fracas, consistentes com a baixa temperatura de condensação do composto.

Propriedades Físicas

Comportamento de Fase e Propriedades Termodinâmicas

O Trisulfeto existe como um gás vermelho-cereja sob condições padrão, com a intensidade da cor aumentando com a concentração. O composto demonstra estabilidade limitada em fases condensadas, convertendo-se em ciclooctaenxofre (S₈) sob condições ordinárias de acordo com a reação 8S₃ → 3S₈. Na fase gasosa, o trisulfeto atinge concentrações de equilíbrio de aproximadamente 10% a 713 K e pressão de 1333 Pa. A molécula torna-se progressivamente mais estável em temperaturas mais altas, compreendendo a segunda espécie de enxofre mais abundante após o S₂ acima de 1200 °C. O trisulfeto sólido foi observado em temperaturas criogênicas através de técnicas de isolamento em matriz, tipicamente empregando matrizes de gás nobre em temperaturas abaixo de 20 K. Os parâmetros termodinâmicos para a formação do trisulfeto permanecem desafiadores de determinar com precisão devido à sua natureza transitória e equilíbrio com outros alótropos de enxofre. O composto exibe alta volatilidade e baixa temperatura de condensação consistentes com sua estrutura molecular.

Características Espectroscópicas

O Trisulfeto exibe absorção eletrônica característica na região do visível com um máximo em 425 nm (região violeta) e uma cauda estendendo-se para a luz azul, explicando sua aparência vermelho-cereja. Esta absorção corresponde à transição eletrônica π → π* entre orbitais moleculares deslocalizados. O ânion radical S₃⁻ exibe propriedades espectroscópicas dramaticamente diferentes, com uma banda de absorção intensa em 610–620 nm (2,07 eV) na região laranja do espectro devido à transição eletrônica C2A2 → X2B1. A espectroscopia Raman do S₃⁻ mostra bandas características em 549 cm⁻¹ (estiramento simétrico), 585 cm⁻¹ (estiramento assimétrico) e 259 cm⁻¹ (modo de deformação). A espectroscopia de infravermelho revela absorção adicional em 580 cm⁻¹. A molécula neutra S₃ demonstra uma frequência Raman de 523 cm⁻¹. A análise espectrométrica de massa mostra o pico do íon molecular esperado em m/z = 96 correspondendo a 32S3, com padrões isotópicos consistentes com a abundância natural do enxofre.

Propriedades Químicas e Reatividade

Mecanismos de Reação e Cinética

O Trisulfeto funciona como um intermediário altamente reativo na química do enxofre, participando em várias transformações químicas. A molécula demonstra reatividade particular em direção a compostos insaturados e elementos com orbitais vagos. Uma reação significativa envolve a conversão de trisulfeto em ciclooctaenxofre, que prossegue rapidamente à temperatura ambiente com cinética de segunda ordem. O Trisulfeto reage com monóxido de carbono para formar sulfeto de carbonila e S₂ de acordo com a equação S₃ + CO → COS + S₂. Esta reação prossegue através de um estado de transição cíclico de quatro membros com uma energia de ativação de aproximadamente 75 kJ mol⁻¹. A molécula também participa em reações de inserção, formando compostos com números definidos de átomos de enxofre, como a reação com monóxido de enxofre: S₃ + S₂O → S₅O (cíclico). O Trisulfeto exibe caráter eletrofílico e reage com espécies nucleofílicas para formar polissulfetos. A reatividade do composto aumenta significativamente em estados eletrônicos excitados, particularmente após fotoexcitação a 425 nm.

Propriedades Ácido-Base e Redox

O Trisulfeto demonstra propriedades tanto oxidantes quanto redutoras dependendo das condições da reação. O potencial de redução padrão para o par S₃/S₃⁻ é estimado em aproximadamente -0,6 V versus o eletrodo padrão de hidrogênio, indicando capacidade redutora moderada. A molécula pode funcionar como um oxidante de um elétron em reações com agentes redutores fortes. O Trisulfeto não exibe comportamento ácido-base típico em sistemas aquosos devido à sua solubilidade limitada e hidrólise rápida. O ânion radical S₃⁻ demonstra maior estabilidade em solventes apróticos e sob condições de alta pressão, mantendo a integridade em solução aquosa a pressões acima de 0,5 GPa. Este ânion funciona como um agente redutor forte com potencial de redução estimado de -1,2 V para o par S₃⁻/S₃²⁻. Tanto o S₃ neutro quanto o S₃⁻ aniônico participam em reações de transferência de eletrões que são significativas em processos geológicos, particularmente em sistemas de fluidos hidtermais onde facilitam o transporte de iões metálicos.

Métodos de Síntese e Preparação

Rotas de Síntese Laboratorial

A produção laboratorial de trisulfeto tipicamente emprega a vaporização de enxofre elementar em alta temperatura seguida por resfriamento rápido. As concentrações de equilíbrio atingem aproximadamente 10% a 713 K e 1333 Pa, com a proporção aumentando em temperaturas mais altas. Técnicas de isolamento em matriz fornecem o método mais eficaz para estabilizar o trisulfeto, envolvendo a vaporização de enxofre a 500–600 °C seguida por deposição com um grande excesso de gás nobre (tipicamente árgon ou néon) numa superfície fria mantida a 10–20 K. A fotólise de S₃Cl₂ embebido num vidro ou matriz de gás nobre representa uma rota sintética alternativa, gerando trisulfeto através da eliminação de cloro. O ânion radical S₃⁻ é preparado através da redução química de enxofre com vários reagentes. A redução de enxofre gasoso com zinco numa matriz produz S₃⁻, resultando em materiais de cor azul intensa. A dissolução de polissulfetos em hexametilfosforamida gera S₃⁻ através de reações de desproporcionamento, evidenciado pelo desenvolvimento de coloração azul. A reação de enxofre com óxido de magnésio parcialmente hidroxilado a 400 °C também produz o ânion S₃⁻.

Métodos Analíticos e Caracterização

Identificação e Quantificação

A espectrometria de massa serve como o método primário para identificação e quantificação do trisulfeto gasoso, com ionização por impacto eletrónico produzindo iões moleculares característicos em m/z = 96, 98 e 100 correspondendo às espécies isotópicas 32S3, 32S234S e 32S34S2. O limite de deteção para trisulfeto por espectrometria de massa é aproximadamente 10-3 Torr de pressão parcial. A espectroscopia de absorção eletrónica fornece deteção sensível através da banda de absorção característica a 425 nm, com absortividade molar de aproximadamente 1000 L mol⁻¹ cm⁻¹. A espectroscopia de infravermelho com isolamento em matriz identifica o trisulfeto através dos modos vibracionais a 580 cm⁻¹ e 585 cm⁻¹. A espectroscopia Raman oferece identificação não destrutiva, particularmente para o ânion S₃⁻ em materiais sólidos, como minerais e pigmentos. O limite de deteção para S₃⁻ por espectroscopia Raman é aproximadamente 0,1% em peso em matrizes minerais. A análise quantitativa requer calibração cuidadosa contra amostras padrão devido à natureza transitória do composto e ao equilíbrio com outras espécies de enxofre.

Aplicações e Usos

Aplicações Industriais e Comerciais

O próprio Trisulfeto encontra aplicação industrial direta limitada devido à sua natureza transitória, mas o seu ânion radical S₃⁻ possui importância comercial significativa. A cor azul intensa do S₃⁻ tem sido explorada historicamente em pigmentos, mais notavelmente no ultramarino natural derivado do mineral lazurita. Análogos sintéticos modernos contendo S₃⁻ continuam a ser usados em pigmentos artísticos, incluindo o Azul Klein Internacional desenvolvido por Yves Klein. A estabilidade do ânion em certas matrizes cristalinas permite o seu uso como corante em materiais especiais. Em contextos geológicos, o S₃⁻ funciona como um ligante importante para o transporte de metais em fluidos hidtermais, facilitando particularmente a mobilidade de depósitos de ouro e cobre. Esta propriedade tem implicações para a exploração mineral e processos de extração. A deteção de S₃⁻ em minerais serve como um indicador de condições específicas de formação, particularmente ambientes metamórficos de alta pressão.

Aplicações em Pesquisa e Usos Emergentes

O Trisulfeto serve como um sistema modelo valioso para estudos teóricos de ligação química em moléculas triatómicas homonucleares. A estrutura eletrónica do composto fornece insights sobre a deslocalização eletrónica e padrões de ligação em sistemas com potencial aromaticidade. As aplicações de pesquisa incluem estudos de química atmosférica, particularmente sobre ciclos de enxofre em atmosferas planetárias. A presença confirmada de trisulfeto na atmosfera de Vênus e na lua de Júpiter, Io, torna-o relevante para a ciência planetária e astrofísica. Aplicações emergentes envolvem química de alta pressão, onde o S₃⁻ demonstra estabilidade incomum em soluções aquosas sob pressões de gigapascal. Esta propriedade sugere papéis potenciais na geoquímica da Terra profunda e processos de zona de subducção. A pesquisa em ciência dos materiais explora a incorporação de S₃⁻ em novos compostos de coordenação e estruturas metal-orgânicas para aplicações ópticas. As propriedades fundamentais do composto continuam a informar o desenvolvimento de tecnologias de baterias à base de enxofre e sistemas de armazenamento de energia.

Desenvolvimento Histórico e Descoberta

O conceito de trisulfeto remonta a 1908, quando o químico alemão Hugo Erdmann propôs a existência de S₃ como "triozona" e hipotetizou que este compreendia um componente significativo do enxofre líquido. Por mais de cinco décadas, a molécula permaneceu especulativa até que evidências definitivas emergiram de estudos espectrométricos de massa conduzidos por J. Berkowitz no Laboratório Nacional de Argonne em 1964. As cuidadosas medições de Berkowitz da composição do vapor de enxofre demonstraram a presença de moléculas S₃ e quantificaram sua abundância sob várias condições de temperatura. Investigações espectroscópicas subsequentes por vários pesquisadores ao longo das décadas de 1970 e 1980 caracterizaram a estrutura e propriedades eletrónicas da molécula. A descoberta de ocorrências naturais de S₃ em atmosferas planetárias e de S₃⁻ em minerais expandiu a compreensão da significância do composto para além dos contextos laboratoriais. O trabalho teórico ao longo deste período abordou a situação de ligação intrigante, particularmente por que a estrutura angular observada experimentalmente prevalece sobre a forma cíclica teoricamente favorecida. Estudos recentes de alta pressão revelaram estabilidade inesperada do S₃⁻ em ambientes aquosos, abrindo novas vias para a pesquisa geológica.

Conclusão

O Trisulfeto representa um alótropo molecular quimicamente significativo do enxofre com propriedades estruturais e eletrónicas distintas. A molécula triatômica homonuclear angular exibe características de ligação complexas com deslocalização π parcial através dos três átomos de enxofre. Embora instável sob condições ordinárias, o trisulfeto atinge concentrações de equilíbrio significativas no vapor de enxofre em temperaturas elevadas e participa em várias reações químicas como um intermediário reativo. O ânion radical S₃⁻ demonstra maior estabilidade e importância prática como um cromóforo em pigmentos naturais e sintéticos. As ocorrências naturais tanto do S₃ neutro quanto do S₃⁻ aniônico em atmosferas planetárias e ambientes geológicos destacam a relevância do composto para além dos ambientes laboratoriais. A pesquisa em curso continua a elucidar a natureza fundamental da ligação do trisulfeto e a explorar aplicações potenciais em ciência dos materiais e geoquímica. O composto serve como uma fonte contínua de interesse teórico em relação à estrutura eletrónica e ligação em aglomerados homonucleares.

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