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Propriedades de ThO2

Propriedades de ThO2 (Dióxido de tório):

Nome do compostoDióxido de tório
Fórmula QuímicaThO2
Massa molar264.03686 g/mol

Estrutura química
ThO2 (Dióxido de tório) - Estrutura química
Estrutura de Lewis
Estrutura molecular 3D
Propriedades físicas
Aparênciasólido branco
Odorinodoro
Solubilidadeinsolúvel
Densidade10.0000 g/cm³
Hélio 0.0001786
Irídio 22.562
Fusão3,350.00 °C
Hélio -270.973
Carboneto de háfnio 3958
Ebulição4,400.00 °C
Hélio -268.928
Carboneto de tungstênio 6000
Termoquímica
Entalpia de Formação-122.00 kJ/mol
Ácido adípico -994.3
Tricarbono 820.06
Entropia Padrão65.20 J/(mol·K)
Iodeto de rutênio (III) -247
Clordecona 764

Composição elementar de ThO2
ElementoSímboloMassa atômicaÁtomosPercentagem da massa
TórioTh232.03806187.8809
OxigênioO15.9994212.1191
Composição percentual em massaComposição Atômica Percentual
Th: 87.88%O: 12.12%
Th Tório (87.88%)
O Oxigênio (12.12%)
Th: 33.33%O: 66.67%
Th Tório (33.33%)
O Oxigênio (66.67%)
Composição percentual em massa
Th: 87.88%O: 12.12%
Th Tório (87.88%)
O Oxigênio (12.12%)
Composição Atômica Percentual
Th: 33.33%O: 66.67%
Th Tório (33.33%)
O Oxigênio (66.67%)
Identificadores
Número CAS1314-20-1
SORRISOSO=[Th]=O
Fórmula de HillO2Th

Compostos relacionados
FórmulaNome composto
ThOMonóxido de tório

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Dióxido de Tório (ThO₂): Composto Químico

Artigo de Revisão Científica | Série de Referência em Química

Resumo

O Dióxido de Tório (ThO₂), também conhecido como tória, representa um composto inorgânico cristalino de significativa importância industrial e científica. Este material refratário exibe estabilidade térmica excepcional com um ponto de fusão de 3350 °C, o mais alto entre todos os óxidos binários conhecidos. O composto cristaliza na estrutura da fluorita (grupo espacial Fm3m) com uma constante de rede de 559,74 pm. O Dióxido de Tório demonstra notável inércia química, sendo insolúvel em água e soluções alcalinas, enquanto mostra solubilidade limitada em ácidos fortes. Suas aplicações primárias incluem componentes de combustível nuclear, cerâmicas de alta temperatura e vidros ópticos especializados. Todos os compostos de dióxido de tório exibem radioatividade inerente devido à ausência de isótopos estáveis de tório, necessitando de procedimentos de manuseio cuidadosos. A alta condutividade térmica e estabilidade à radiação do material tornam-no particularmente valioso em aplicações de tecnologia nuclear.

Introdução

O Dióxido de Tório constitui um importante composto inorgânico dentro da série dos actinídeos, classificado como um óxido metálico refratário. Identificado pela primeira vez no mineral torianita, este composto tem sido extensivamente estudado desde o final do século XIX. A forma mineralógica ocorre naturalmente como torianita, que cristaliza em um sistema isométrico e representa um dos principais minerais portadores de tório. O Dióxido de Tório ganhou significado industrial após o desenvolvimento de mantas de gás por Carl Auer von Welsbach em 1890, utilizando misturas de tória-céria. A excepcional estabilidade térmica e química do composto, combinada com suas propriedades nucleares, estabeleceu seu papel em várias aplicações tecnológicas avançadas. Como material cerâmico, o Dióxido de Tório demonstra desempenho excepcional em ambientes de alta temperatura, levando ao seu uso em aplicações refratárias especializadas e sistemas de combustível nuclear.

Estrutura Molecular e Ligação

Geometria Molecular e Estrutura Eletrônica

O Dióxido de Tório cristaliza na estrutura da fluorita (tipo CaF₂), que é incomum entre os dióxidos binários. Esta estrutura cúbica pertence ao grupo espacial Fm3m (No. 225) com um símbolo Pearson cF12. Neste arranjo, os cátions tório(IV) ocupam posições cúbicas de faces centradas com coordenação cúbica para oito ânions de oxigênio, enquanto os ânions de oxigênio exibem coordenação tetraédrica para quatro cátions de tório. A distância da ligação Th-O mede 2,42 Å, consistente com características de ligação iônica. A estrutura eletrônica apresenta o tório no estado de oxidação +4 com configuração eletrônica [Rn], enquanto os átomos de oxigênio mantêm o estado de oxidação -2. O composto exibe um largo gap de energia de aproximadamente 6 eV, indicando suas propriedades isolantes. A análise de difração de raios-X confirma o parâmetro de rede de 559,74 ± 0,06 pm à temperatura ambiente.

Ligação Química e Forças Intermoleculares

A ligação química no Dióxido de Tório demonstra caráter predominantemente iônico com contribuição covalente parcial. A alta carga formal no tório(IV) e nos íons oxigênio(-II) cria fortes interações eletrostáticas, resultando em uma energia de rede de aproximadamente 3500 kJ/mol. A natureza refratária do composto correlaciona-se diretamente com estas características de ligação forte. As forças intermoleculares no Dióxido de Tório sólido são governadas por interações de rede iônica, com contribuições insignificantes de van der Waals ou ligação de hidrogênio. O material não exibe momento dipolar molecular mensurável devido à sua estrutura cúbica altamente simétrica. A análise comparativa com dióxidos relacionados mostra que o Dióxido de Tório possui caráter iônico mais forte que o dióxido de urânio, mas menos que o dióxido de háfnio, como evidenciado por sua posição intermediária na escala de basicidade óptica para óxidos metálicos.

Propriedades Físicas

Comportamento de Fase e Propriedades Termodinâmicas

O Dióxido de Tório aparece como um sólido cristalino branco a amarelado com densidade de 10,0 g/cm³ a 298 K. O composto mantém a estrutura da fluorita desde a temperatura ambiente até seu ponto de fusão, sem transições polimórficas observadas sob condições padrão. Um polimorfo tetragonal existe, mas requer condições de pressão extrema para formação. O ponto de fusão de 3350 °C representa o mais alto entre os óxidos binários, enquanto o ponto de ebulição excede 4400 °C. Medidas termodinâmicas rendem entalpia padrão de formação (ΔHf°) de -1226 ± 4 kJ/mol e entropia padrão (S°) de 65,2 ± 0,2 J·K⁻¹·mol⁻¹. A capacidade térmica segue a relação Cp = 77,8 + 0,0018T - 2,65×10⁵T⁻² J·mol⁻¹·K⁻¹ entre 298 K e 2000 K. O coeficiente de expansão térmica mede 9,2 × 10⁻⁶ K⁻¹ à temperatura ambiente, aumentando linearmente com a temperatura.

Características Espectroscópicas

A espectroscopia no infravermelho revela vibrações características de estiramento Th-O a 480 cm⁻¹ e 530 cm⁻¹, consistentes com as regras de seleção da estrutura da fluorita. A espectroscopia Raman mostra um forte modo F₂g a 465 cm⁻¹, correspondendo à vibração da sub-rede de oxigênio. A espectroscopia UV-Vis indica nenhuma absorção significativa na região visível, explicando a aparência branca, com o início da absorção ocorrendo aproximadamente a 200 nm correspondente à energia do gap de energia. A espectroscopia de fotoelectrões de raios-X mostra picos Th 4f₇/₂ e Th 4f₅/₂ a 334,0 eV e 343,2 eV de energia de ligação, respectivamente, confirmando o estado de oxidação Th⁴⁺. A espectroscopia de RMN de estado sólido demonstra um desvio químico característico de ¹⁷O de 620 ppm em relação à água, consistente com o caráter de óxido iônico.

Propriedades Químicas e Reatividade

Mecanismos de Reação e Cinética

O Dióxido de Tório exibe estabilidade química excepcional na maioria das condições. O material é insolúvel em água e soluções alcalinas, com dissolução ocorrendo apenas em ácidos minerais concentrados. A reação com ácido sulfúrico concentrado a quente procede lentamente para formar sulfato de tório(IV), enquanto o ácido fluorídrico o converte em fluoreto de tório(IV). O composto demonstra resistência à oxidação, mantendo o estado de oxidação Th⁴⁺ mesmo sob condições oxidantes fortes. A redução com hidrogênio a temperaturas acima de 1850 K produz monóxido de tório (ThO), que disproporciona de volta a tório metálico e dióxido ao resfriar. A reação com gás cloro a temperaturas elevadas (800-1000 K) produz cloreto de tório(IV). A cinética de dissolução em ácidos segue um mecanismo controlado por superfície com energia de ativação de 75 kJ/mol em ácido clorídrico.

Propriedades Ácido-Base e Redox

O Dióxido de Tório funciona como um ácido de Lewis fraco, capaz de formar complexos com bases de Lewis através de átomos de oxigênio superficiais. O composto exibe caráter anfótero com propriedades básicas predominantes, dissolvendo-se mais facilmente em meios ácidos do que básicos. O ponto de carga zero ocorre a pH 4,5, indicando características de superfície ligeiramente ácidas. As propriedades redox demonstram estabilidade excepcional, com o potencial de redução Th⁴⁺/Th⁰ estimado em -1,90 V versus o eletrodo padrão de hidrogênio. O composto não mostra tendência para reações de disproporção ou comproporção sob condições normais. Em sistemas de sais fundidos, o Dióxido de Tório comporta-se como um óxido estável com solubilidade limitada, formando complexos torato em fundidos básicos.

Métodos de Síntese e Preparação

Rotas de Síntese Laboratorial

A preparação laboratorial do Dióxido de Tório tipicamente envolve a decomposição térmica de sais de tório(IV). A calcinação de oxalato de tório(IV) a 800-1000 °C produz Dióxido de Tório de alta pureza e finamente dividido com áreas superficiais específicas de até 50 m²/g. A decomposição do nitrato de tório(IV) segue um caminho similar, mas requer controle cuidadoso da temperatura para prevenir a formação de nitratos básicos. A precipitação de soluções de tório(IV) com hidróxido de amônio ou ácido oxálico produz Dióxido de Tório hidratado, que se desidrata para a forma anidra ao ser aquecido acima de 500 °C. A oxidação direta do tório metálico ocorre rapidamente acima de 650 K, produzindo Dióxido de Tório estequiométrico com tamanho de partícula dependente da temperatura de oxidação. Métodos sol-gel utilizando alcóxidos de tório permitem a preparação de formas cerâmicas de alta densidade com porosidade controlada.

Métodos de Produção Industrial

A produção industrial utiliza primariamente minerais contendo tório através de processamento hidrometalúrgico. O tratamento de areia monazita com ácido sulfúrico concentrado a quente dissolve os valores de tório, seguido por precipitação seletiva como pirofosfato de tório ou oxalato de tório. O processo Bastnasite emprega digestão alcalina com hidróxido de sódio a 140-150 °C, produzindo hidróxido de tório insolúvel que é subsequentemente convertido a dióxido por calcinação. A produção em larga escala alcança níveis de pureza superiores a 99,9% através de múltiplos passos de recristalização e precipitação. O Dióxido de Tório de grau cerâmico para aplicações nucleares requer purificação adicional via extração por solvente com tri-butil fosfato em sistemas de ácido nítrico. O produto final é tipicamente peletizado e sinterizado a 1700-2000 °C para alcançar densidades superiores a 95% da densidade teórica.

Métodos Analíticos e Caracterização

Identificação e Quantificação

A difração de raios-X fornece identificação definitiva através da comparação com o padrão de referência (JCPDS 42-1462) mostrando reflexões características em espaçamentos d de 3,20 Å (111), 2,78 Å (200) e 1,96 Å (220). A análise quantitativa emprega métodos gravimétricos seguindo precipitação como oxalato de tório ou ignição a peso constante a 1000 °C. A determinação espectrofotométrica utiliza o reagente torina (1-(o-arsenofenilazo)-2-naftol-3,6-ácido dissulfônico), que forma um complexo colorido mensurável a 540 nm com limite de detecção de 0,1 μg/mL. A espectroscopia de fluorescência de raios-X fornece quantificação não destrutiva com precisão de ±2% para o conteúdo de tório. A análise por ativação neutrônica oferece sensibilidade excepcional para detecção de impurezas traço, mas requer instalações especializadas.

Avaliação de Pureza e Controle de Qualidade

O Dióxido de Tório de grau nuclear deve atender especificações rigorosas, incluindo conteúdo de urânio abaixo de 20 ppm, elementos de terras raras abaixo de 100 ppm e elementos venenosos de nêutrons (boro, cádmio) abaixo de 1 ppm. O material de grau cerâmico requer controle de área superficial específica entre 5-15 m²/g e distribuição de tamanho de partícula com d₅₀ de 2-5 μm. Os procedimentos de controle de qualidade incluem medição da razão oxigênio-metal por análise termogravimétrica, com desvio aceitável da estequiometria limitado a ±0,01. A análise de metais traço emprega espectrometria de massa com plasma indutivamente acoplado com limites de detecção abaixo de 0,1 ppm para a maioria dos elementos. A verificação da pureza de fase requer análise de difração de raios-X mostrando nenhuma fase secundária detectável além do limite de detecção de 1%.

Aplicações e Usos

Aplicações Industriais e Comerciais

O Dióxido de Tório serve como componente em sistemas de combustível nuclear, particularmente em projetos avançados de reatores utilizando ciclos de combustível de tório. Combustíveis de óxido misto contendo Dióxido de Tório com dióxido de urânio ou plutônio oferecem resistência aprimorada à proliferação e produção reduzida de actinídeos de longa vida. O composto encontra aplicação em cerâmicas de alta temperatura para cadinhos e revestimentos refratários capazes de suportar temperaturas de até 2500 °C. Eletrodos de tungstênio toriatados contendo 1-4% de Dióxido de Tório melhoram a estabilidade do arco e a emissão de elétrons na soldagem TIG. A fabricação de mantas de gás historicamente utilizava misturas de tória-céria, embora esta aplicação tenha declinado devido a preocupações com radioatividade. Vidros ópticos especializados incorporam Dióxido de Tório para alcançar altos índices de refração (até 2,0) para sistemas de lentes de precisão.

Aplicações de Pesquisa e Usos Emergentes

As aplicações de pesquisa focam no potencial do Dióxido de Tório como matriz para imobilização de resíduos nucleares, aproveitando sua resistência à radiação e durabilidade química. Estudos catalíticos investigam sistemas baseados em tória para reforma de hidrocarbonetos e reações de deslocamento gás-água, embora a implementação comercial permaneça limitada. Aplicações emergentes incluem o Dióxido de Tório como material de suporte para catalisadores heterogêneos em refino de petróleo e síntese química. A pesquisa eletroquímica explora eletrólitos baseados em tória para células de combustível de óxido sólido operando em temperaturas intermediárias (600-800 °C). Investigações em ciência dos materiais continuam a desenvolver compósitos de Dióxido de Tório com propriedades mecânicas aprimoradas para aplicações em ambientes extremos. A alta constante dielétrica do composto (κ = 27) sugere aplicações potenciais em microeletrônica como um material dielétrico de porta de alta constante κ.

Desenvolvimento Histórico e Descoberta

O Dióxido de Tório foi identificado pela primeira vez em 1828 pelo químico sueco Jöns Jacob Berzelius após sua descoberta do tório. O mineral torianita, essencialmente Dióxido de Tório puro, foi descoberto no Ceilão (agora Sri Lanka) em 1904 e representou o primeiro mineral rico em tório conhecido. A utilização industrial começou com a invenção da manta de gás por Carl Auer von Welsbach em 1890, que empregava Dióxido de Tório dopado com dióxido de cério para produzir iluminação branca brilhante. Aplicações nucleares emergiram durante a década de 1940 como parte da pesquisa inicial em energia nuclear, com os primeiros experimentos de reator baseado em tório conduzidos no Oak Ridge National Laboratory. Desenvolvimentos no processamento cerâmico durante a década de 1950 permitiram a produção de pellets de Dióxido de Tório de alta densidade para aplicações de combustível nuclear. Preocupações de segurança relativas à radioatividade levaram à eliminação gradual de muitas aplicações comerciais durante o final do século XX, embora usos especializados continuem em tecnologias nucleares e de alta temperatura.

Conclusão

O Dióxido de Tório representa um material de estabilidade térmica e química excepcional com propriedades únicas decorrentes de sua estrutura de fluorita e alto caráter iônico. A natureza refratária do composto, evidenciada por seu ponto de fusão recorde entre os óxidos, permite aplicações em ambientes de temperatura extrema. Suas propriedades nucleares facilitam o uso em ciclos avançados de combustível oferecendo vantagens potenciais em sustentabilidade e resistência à proliferação. A resistência à radiação e durabilidade química do material sugerem relevância contínua no gerenciamento de resíduos nucleares e projetos avançados de reatores. Direções futuras de pesquisa incluem o desenvolvimento de compósitos baseados em Dióxido de Tório com propriedades mecânicas aprimoradas, exploração de seu potencial catalítico em reações especializadas e otimização de processos de fabricação para aplicações nucleares. A combinação única de propriedades do composto garante sua importância contínua na ciência dos materiais e tecnologia nuclear, apesar dos desafios associados à sua radioatividade inerente.

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  • Grupos funcionais:D, T, Ph, Me, Et, Bu, AcAc, For, Tos, Bz, TMS, tBu, Bzl, Bn, Dmg
  • parênteses () ou colchetes [].
  • Nomes comuns de compostos.
Exemplos: H2O, CO2, CH4, NH3, NaCl, CaCO3, H2SO4, C6H12O6, água, dióxido de carbono, metano, amônia, cloreto de sódio, carbonato de cálcio, ácido sulfúrico, glicose.

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