Printed from https://www.webqc.org

Propriedades de UO2CO3

Propriedades de UO2CO3 (Carbonato de uranila):

Nome do compostoCarbonato de uranila
Fórmula QuímicaUO2CO3
Massa molar330.03661 g/mol

Estrutura química
UO2CO3 (Carbonato de uranila) - Estrutura química
Estrutura de Lewis
Estrutura molecular 3D
Propriedades físicas
Densidade5.7000 g/cm³
Hélio 0.0001786
Irídio 22.562

Composição elementar de UO2CO3
ElementoSímboloMassa atômicaÁtomosPercentagem da massa
UrânioU238.02891172.1220
OxigênioO15.9994524.2388
CarbonoC12.010713.6392
Composição percentual em massaComposição Atômica Percentual
U: 72.12%O: 24.24%C: 3.64%
U Urânio (72.12%)
O Oxigênio (24.24%)
C Carbono (3.64%)
U: 14.29%O: 71.43%C: 14.29%
U Urânio (14.29%)
O Oxigênio (71.43%)
C Carbono (14.29%)
Composição percentual em massa
U: 72.12%O: 24.24%C: 3.64%
U Urânio (72.12%)
O Oxigênio (24.24%)
C Carbono (3.64%)
Composição Atômica Percentual
U: 14.29%O: 71.43%C: 14.29%
U Urânio (14.29%)
O Oxigênio (71.43%)
C Carbono (14.29%)
Identificadores
Número CAS12274-95-2
SORRISOSC(=O)([O-])[O-].O=[U+2]=O
Fórmula de HillCO5U

Compostos relacionados
FórmulaNome composto
UO2C2O4Oxalato de uranila

Relacionado
Calculadora de peso molecular
Calculadora de estado de oxidação

Carbonato de uranila (UO2CO3): Composto Químico

Artigo de Revisão Científica | Série de Referência em Química

Resumo

O carbonato de uranila, com a fórmula química UO2CO3, representa um importante composto inorgânico na química do urânio e na ciência de materiais nucleares. Este composto de carbonato de uranila cristaliza no sistema cristalino ortorrômbico com grupo espacial Immm e exibe uma estrutura polimérica onde cada centro de urânio(VI) coordena com oito átomos de oxigênio. O composto demonstra uma densidade de 5,7 g/cm³ e massa molar de 330,03 g/mol. O carbonato de uranila ocorre naturalmente como o mineral rutherfordina e forma-se através da intemperização de minérios contendo urânio. Desempenha um papel significativo na geoquímica do urânio, particularmente na formação de depósitos secundários de urânio e na migração ambiental do urânio através de águas ricas em carbonato. A estabilidade do composto em condições alcalinas e suas propriedades complexas de troca iônica tornam-no tecnologicamente relevante para operações de extração e processamento de urânio.

Introdução

O carbonato de uranila constitui um composto inorgânico pertencente à classe mais ampla de compostos de uranila caracterizados pelo íon uranila linear (UO22+) coordenado com ânions carbonato. Este composto tem significado particular em contextos geológicos e industriais devido ao seu papel na mobilidade do urânio em sistemas aquosos. A forma mineral, rutherfordina, foi descrita pela primeira vez em 1906 e batizada em homenagem ao físico Ernest Rutherford. A caracterização estrutural por métodos de difração de raios X revelou sua natureza polimérica, distinguindo-o dos carbonatos iônicos simples. A formação do carbonato de uranila representa uma via de especiação dominante para o urânio(VI) em ambientes aquosos ricos em carbonato, com constantes de estabilidade para complexos de carbonato de uranila excedendo as da maioria dos outros ligantes de uranila em condições alcalinas.

Estrutura Molecular e Ligação

Geometria Molecular e Estrutura Eletrônica

A estrutura molecular do carbonato de uranila apresenta urânio no estado de oxidação +6 com um grupo uranila linear (O=U=O)2+ exibindo comprimentos de ligação U-O de aproximadamente 1,77 Å. O ânion carbonato coordena-se ao centro de urânio de forma bidentada, formando uma estrutura polimérica no estado sólido. Cada átomo de urânio alcança uma geometria de oito coordenações, ligando-se a dois átomos de oxigênio da uranila e seis átomos de oxigênio do carbonato de grupos carbonato adjacentes. A configuração eletrônica do urânio(VI) é [Rn]5f0, com os orbitais 5f vazios participando de interações de ligação. O íon uranila demonstra vibrações de estiramento características em 806 cm-1 (assimétrico) e 860 cm-1 (simétrico) na espectroscopia de infravermelho, consistente com a geometria de coordenação linear.

Ligação Química e Forças Intermoleculares

A ligação química no carbonato de uranila envolve principalmente caráter iônico entre o cátion uranila e o ânion carbonato, com caráter covalente parcial nas ligações urânio-oxigênio do grupo uranila. As ligações U-O no íon uranila exibem ordens de ligação entre 2,5 e 3,0, resultante de interações de orbitais moleculares entre os orbitais 6d e 5f do urânio com os orbitais 2p do oxigênio. A coordenação do carbonato ocorre através de átomos de oxigênio, com comprimentos de ligação C-O de 1,29 Å e ângulos de ligação O-C-O de 120°. As forças intermoleculares na estrutura cristalina incluem interações eletrostáticas entre cadeias adjacentes de carbonato de uranila e forças de van der Waals entre grupos carbonato. A natureza polimérica do composto resulta em estruturas estendidas semelhantes a folhas com espaçamento entre camadas de aproximadamente 4,2 Å.

Propriedades Físicas

Comportamento de Fase e Propriedades Termodinâmicas

O carbonato de uranila existe como um sólido cristalino amarelo com morfologia cristalina ortorrômbica. O composto demonstra uma densidade de 5,7 g/cm³ e decompõe-se antes de fundir em temperaturas acima de 300°C. A decomposição térmica prossegue através da perda de dióxido de carbono, formando trióxido de urânio (UO3) como o principal produto de decomposição. A entalpia padrão de formação (ΔHf°) mede -1550 kJ/mol, enquanto a energia livre de Gibbs padrão de formação (ΔGf°) é -1450 kJ/mol. O composto exibe solubilidade limitada em água (0,012 g/L a 25°C), mas demonstra solubilidade significativamente aumentada em soluções ricas em carbonato devido à formação de complexos. O índice de refração mede 1,72-1,75 com birrefringência de 0,03.

Características Espectroscópicas

A espectroscopia de infravermelho do carbonato de uranila revela modos vibracionais característicos, incluindo o estiramento assimétrico da uranila em 806 cm-1, o estiramento simétrico em 860 cm-1 e as vibrações do carbonato em 1410 cm-1 (estiramento assimétrico), 1080 cm-1 (estiramento simétrico) e 750 cm-1 (flexão fora do plano). A espectroscopia Raman mostra bandas fortes em 830 cm-11 UO22+) e 1085 cm-11 CO32-). Os espectros de absorção eletrônica exibem bandas de transferência de carga na região ultravioleta (250-350 nm) e transições f-f na região visível, produzindo a coloração amarela característica. A espectroscopia de fotoeletrons de raios X mostra a energia de ligação do urânio 4f7/2 em 381,8 eV e a energia de ligação do O 1s em 530,9 eV.

Propriedades Químicas e Reatividade

Mecanismos de Reação e Cinética

O carbonato de uranila sofre decomposição por aquecimento de acordo com a reação: UO2CO3(s) → UO3(s) + CO2(g), com uma energia de ativação de 120 kJ/mol. O composto demonstra estabilidade em condições neutras e alcalinas, mas sofre hidrólise em meio ácido, liberando dióxido de carbono e formando íons uranila: UO2CO3 + 2H+ → UO22+ + CO2 + H2O. A cinética da reação com ácidos segue uma dependência de primeira ordem na concentração de íons hidrogênio com uma constante de velocidade de 0,15 s-1M-1 a 25°C. O carbonato de uranila forma complexos solúveis com excesso de íons carbonato, incluindo [UO2(CO3)2]2- e [UO2(CO3)3]4-, com constantes de formação de log β2 = 16,5 e log β3 = 21,6, respectivamente.

Propriedades Ácido-Base e Redox

O carbonato de uranila comporta-se como uma base fraca, reagindo com ácidos fortes para liberar dióxido de carbono. O composto não exibe capacidade de tamponamento significativa, mas contribui para a estabilidade do pH em sistemas tampão carbonato-bicarbonato. As propriedades redox envolvem o par urânio(VI)/urânio(IV) com potencial de redução padrão E° = +0,327 V para o par UO22+/U4+. A redução do carbonato de uranila ocorre mais facilmente do que a redução de compostos de hidróxido ou óxido de uranila devido ao ambiente de ligação mais fraco. O composto demonstra estabilidade em condições oxidantes, mas sofre redução por agentes redutores fortes, como sulfeto de hidrogênio ou ferroso, formando compostos de urânio(IV). Estudos eletroquímicos mostram ondas de redução irreversíveis a -0,45 V em relação ao eletrodo padrão de hidrogênio.

Métodos de Síntese e Preparação

Rotas de Síntese em Laboratório

A síntese laboratorial do carbonato de uranila normalmente prossegue através de métodos de precipitação. A abordagem mais comum envolve a reação do hexaidrato de nitrato de uranila (UO2(NO3)2·6H2O) com solução de carbonato de sódio sob condições controladas de pH. Tipicamente, uma solução de nitrato de uranila 0,1 M é adicionada gota a gota a uma solução de carbonato de sódio 0,2 M mantida a pH 9,0-9,5 e temperatura de 60°C. O precipitado amarelo forma-se imediatamente e envelhece por 24 horas para melhorar a cristalinidade. O produto é coletado por filtração, lavado com água destilada e seco a 110°C. Rotas de síntese alternativas incluem a carbonatação de suspensões de hidróxido de uranila com dióxido de carbono sob pressão (5-10 atm) à temperatura ambiente, produzindo produtos microcristalinos com maior área superficial.

Métodos Analíticos e Caracterização

Identificação e Quantificação

A identificação do carbonato de uranila emprega múltiplas técnicas analíticas. A difração de raios X fornece identificação definitiva através da comparação com o padrão de referência ICDD 00-037-0295, mostrando picos característicos em espaçamentos d de 5,42 Å (100), 3,74 Å (80) e 2,71 Å (60). A espectroscopia de infravermelho confirma a presença de grupos funcionais de uranila e carbonato através de suas assinaturas vibracionais características. A análise quantitativa normalmente utiliza dissolução em ácido seguida de determinação espectrofotométrica usando reagente arsenazo III no comprimento de onda de 652 nm, com limite de detecção de 0,1 mg/L. Alternativamente, a espectrometria de massa com plasma indutivamente acoplado fornece detecção ultra-sensível com limites próximos a 0,1 μg/L. A análise termogravimétrica mostra uma perda de peso característica de 13,3% correspondente à evolução de CO2.

Avaliação de Pureza e Controle de Qualidade

A avaliação da pureza do carbonato de uranila envolve a determinação do teor de urânio através de métodos gravimétricos após ignição para U3O8, com teor teórico de urânio de 72,1% no composto puro. O teor de carbonato é determinado acidimetricamente medindo o dióxido de carbono evoluído. Impurezas comuns incluem água adsorvida, íons sódio de reagentes de preparação e hidróxido de uranila. As especificações de controle de qualidade para material de grau analítico exigem teor de urânio entre 71,5-72,5%, teor de carbonato de 13,1-13,5% e perda por ignição não excedendo 0,5%. Índices de pureza por difração de raios X exigem que nenhum pico de difração estranho exceda 2% da reflexão mais forte do carbonato de uranila. O material para padrões espectroscópicos passa por purificação adicional através de recristalização a partir de soluções de carbonato de amônio.

Aplicações e Usos

Aplicações Industriais e Comerciais

O carbonato de uranila encontra aplicação em operações de extração e processamento de urânio, particularmente na lixiviação in-situ de minérios de urânio. A solubilidade do composto em soluções de carbonato permite a recuperação eficiente de urânio de minérios de baixo teor através de processos de lixiviação alcalina. No refino de urânio, sistemas de troca iônica baseados em carbonato utilizam a formação de complexos aniónicos de carbonato de uranila [UO2(CO3)3]4- para purificação e concentração a partir de soluções de lixiviação. A indústria nuclear emprega a química do carbonato para análise e controle de qualidade do urânio durante a fabricação de combustível. Aplicações de remediação ambiental envolvem a lavagem com carbonato de solos contaminados com urânio, aproveitando a solubilidade do composto para extrair urânio de matrizes sólidas.

Aplicações de Pesquisa e Usos Emergentes

As aplicações de pesquisa do carbonato de uranila focam principalmente na química ambiental e na gestão de resíduos nucleares. Estudos investigam o papel do composto no transporte de urânio em sistemas de águas subterrâneas, particularmente em aquíferos ricos em carbonato. A pesquisa em ciência dos materiais explora o carbonato de uranila como um precursor para nanomateriais de óxido de urânio através de decomposição térmica controlada. Aplicações emergentes incluem o desenvolvimento de métodos de sequestro baseados em carbonato para urânio em ambientes contaminados e o design de materiais de separação avançados que exploram a complexação do carbonato de uranila. A pesquisa em catálise examina derivados do carbonato de uranila para reações de oxidação, embora as aplicações permaneçam limitadas devido a preocupações com radioatividade. Estudos fundamentais de química de coordenação utilizam o carbonato de uranila como um sistema modelo para entender a complexação de carbonato de actinídeos.

Desenvolvimento Histórico e Descoberta

A descoberta do carbonato de uranila como o mineral rutherfordina ocorreu em 1906 em espécimes da Região de Morogoro, na Tanzânia. A caracterização inicial identificou o composto como um carbonato de urânio, mas o entendimento estrutural detalhado emergiu apenas com os avanços na cristalografia de raios X na década de 1950. A investigação sistemática da química do carbonato de uranila acelerou durante o Projeto Manhattan, onde a compreensão da especiação do urânio em vários ambientes tornou-se crucial. A significância do composto na geoquímica do urânio tornou-se aparente através de estudos da mobilidade do urânio em sistemas de águas subterrâneas durante as décadas de 1960 e 1970. O desenvolvimento de tecnologias de lixiviação alcalina para minérios de urânio na década de 1980 destacou ainda mais a importância industrial dos complexos de carbonato de uranila. Pesquisas recentes focam no comportamento ambiental e aplicações de remediação, particularmente após preocupações sobre contaminação por urânio de atividades de mineração.

Conclusão

O carbonato de uranila representa um composto quimicamente significativo com importância substancial na química do urânio, tecnologia nuclear e ciência ambiental. Sua estrutura polimérica única, combinando grupos uranila lineares com ânions carbonato ponte, resulta em propriedades físicas e químicas distintivas. O comportamento do composto em sistemas aquosos, particularmente sua solubilidade aumentada em soluções ricas em carbonato, governa a mobilidade do urânio em águas naturais e fornece a base para processos industriais de extração de urânio. Pesquisas em andamento continuam a elucidar a química de coordenação detalhada dos complexos de carbonato de uranila e suas interações com superfícies minerais. Desenvolvimentos futuros provavelmente focarão em aplicações ambientais, incluindo tecnologias de remediação e modelagem preditiva do transporte de urânio em formações geológicas. O composto serve como um sistema fundamental para entender a química do carbonato de actinídeos e continua a fornecer insights sobre o comportamento de coordenação de elementos f.

Banco de Dados de Propriedades de Compostos Químicos

Este banco de dados contém propriedades físicas e nomes alternativos para milhares de compostos químicos. Na fórmula química, você pode usar:
  • Qualquer elemento químico. Coloque a primeira letra do símbolo químico em maiúscula e use minúsculas para as letras restantes: Ca, Fe, Mg, Mn, S, O, H, C, N, Na, K, Cl, Al.
  • Grupos funcionais:D, T, Ph, Me, Et, Bu, AcAc, For, Tos, Bz, TMS, tBu, Bzl, Bn, Dmg
  • parênteses () ou colchetes [].
  • Nomes comuns de compostos.
Exemplos: H2O, CO2, CH4, NH3, NaCl, CaCO3, H2SO4, C6H12O6, água, dióxido de carbono, metano, amônia, cloreto de sódio, carbonato de cálcio, ácido sulfúrico, glicose.

O banco de dados inclui pontos de fusão, pontos de ebulição, densidades e nomes alternativos coletados de várias fontes químicas.

O que são propriedades compostas?

As propriedades dos compostos químicos incluem características físicas como ponto de fusão, ponto de ebulição e densidade, que são importantes para identificação e aplicações químicas. Nomes alternativos ajudam a identificar o mesmo composto quando referenciado por diferentes convenções de nomenclatura.

Como usar esta ferramenta?

Digite uma fórmula química (como H2O) ou nome de composto (como água) para procurar propriedades disponíveis e nomes alternativos. A ferramenta pesquisará no banco de dados e exibirá todas as propriedades físicas disponíveis e nomes alternativos conhecidos para o composto.
Deixe seu comentário sobre a sua experiência com o balanceador de equação química.
Cardápio Balanceie Massa molar Leis de gases Unidades Ferramentas de Química Tabela periódica Forum de química Simetria Constantes Contribua Contate-nos
Como citar?